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A emergência de uma nova economia

Muitas das grandes metrópoles mundiais estão já a impor medidas restritivas à circulação de automóveis a diesel, uma medida que, mais tarde ou mais cedo se irá esten­der aos movidos a gasolina.

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1. No final do mês de Maio, a Comissária Europeia para a Indús­tria, Empreendedorismo e Pequenas e Médias Empresas, Elz­bieta Bienkowska, anunciou, em entrevista à Bloomberg, que os carros movidos a diesel têm os dias contados… Trata-se de um sinal a ser visto com o devido cuidado, sobretudo pelos paí­ses muito dependentes das receitas de exportação do petróleo.

2. Estamos, seguramente, lembrados do escândalo que ficou internacionalmente conhecido por Dieselgate, com a marca de automóveis alemã Wolkswagen como protagonista, acusa­da de ter introduzido em milhões de viaturas um mecanismo artificial capaz de disfarçar os excessos de emissões de gases poluentes. Com tal comportamento, a imagem da marca ficou profundamente abalada, pondo também em causa a fiabilida­de do diesel como combustível, por alguns ainda visto como mais amigo do ambiente.

3. Com tal perda de credibilidade, acentuou-se, um pouco por todo o mundo, o declínio da circulação de viaturas movidas a diesel, um movimento que começou na Europa, continente em que as viaturas a diesel representam cerca de 50% do conjun­to de viaturas a circular nas estradas. Segundo previsões da JP Morgan Chase & Co, já em 2020 cairão para 30%, até desapa­recerem completamente.

4. Muitas das grandes metrópoles mundiais estão já a impor medidas restritivas à circulação de automóveis a diesel, uma medida que, pela certa, mais tarde ou mais cedo se irá esten­der aos movidos a gasolina.

5. As viaturas do futuro serão, como se afigura, movidas a elec­tricidade, mesmo que, numa fase inicial, se passe por algum hibridismo.

As viaturas do futuro serão, como se afigura, movidas a electricidade, mesmo que, numa fase inicial, se passe por algum hibridismo.

6. O diesel deve o seu nome a Rudolf Diesel. Em 1895, este enge­nheiro alemão desenvolveu um motor movido a óleo de amen­doim (biodiesel). Posteriormente, passou a extrair-se o diesel por refinação do petróleo, gerando um produto com maior po­tencial energético, estendendo a sua utilização para a locomo­ção dos camiões, autocarros, pequenas embarcações maríti­mas, tractores, locomotivas, etc. Hoje é o principal combustível para os geradores de electricidade, centrais termoeléctricas e máquinas industriais.

7. Com a saída de cena dos automóveis a diesel, será certamen­te posto em causa o seu uso como combustível nos restantes equipamentos, equivalendo a uma nova revolução industrial de consequências até agora inimagináveis. E, em consequên­cia, emergirá uma nova economia capaz de moldar o estilo de vida dos habitantes do nosso Planeta.

8. Os combustíveis fósseis são dos principais causadores do chamado efeito de estufa e do aquecimento global, fruto das emissões poluentes de monóxido de carbono (CO), dióxido de carbono (CO2), óxido de nitrogénio (NOx), enxofre, chumbo, etc.

9. Um estudo publicado pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, uma das mais prestigiadas do mundo, chegou a uma conclusão assustadora pela utilização do diesel como combustí­vel dos automóveis. Por exemplo, a frota de automóveis movi­dos a diesel a circular na cidade de São Francisco corresponde a somente 10% do total de veículos. Contudo, esses 10% de au­tomóveis responsabilizam-se por cerca de 60% da produção de aerossóis orgânicos secundários (AOS), partículas altamente nocivas à saúde humana. No conjunto dos EUA, o diesel contri­bui para a produção de 80% dessas partículas. Outro facto re­levante é o diesel produzir perto de sete vezes mais aerossóis secundários que a gasolina.

10. Já em 2012, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o can­cro, ligada à ONU, havia concluído que as emissões dos motores a diesel eram altamente cancerígenas.

11. Quem sobreviver aos próximos anos será, pois, testemunha de uma profunda Revolução Industrial e da emergência de uma Nova Economia, cujos sinais são agora dados

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