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A herança de Trump na “era Joe Biden” (I)

Justino Pinto de Andrade
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Foto:
D.R., ISTOCKPHOTO

A “Era Joe Biden” introduzirá uma alteração substancial nas relações internacionais, com um novo posicionamento dos Estados Unidos da América.

Regresso ao multilateralismo Em Maio de 2020, o Presidente Donald Trump anunciou que os EUA abandonariam a Organização Mundial da Saúde (OMS), a quem acusou de estar ao serviço da China, tendo mesmo afirmado que esse país “instigou uma Pandemia Global” que, na altura, já tinha provocado a morte de 100 mil norte-americanos. Disse ainda que a OMS estaria “a enganar o mundo sobre o vírus”. Dias antes, advertira a Organização para que fizesse alterações no seu “modus operandi” e que procedesse a alterações na sua estrutura. Trump suspendeu, então, o pagamento da sua contribuição anual à organização – 400 milhões de USD, correspondentes a 15% do orçamento da instituição.

Dois anos antes, em 2018, o Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, anunciara que os EUA se retirariam do Conselho dos Direitos Humanos da ONU. Fê-lo em conferência de imprensa, acompanhado por Nikki Haley, embaixadora dos Estados Unidos junto da ONU, alegando haver da parte daquela instituição “um crónico preconceito anti-israelita”. Achava, portanto, necessário aquele organismo proceder a “grandes e dramáticas mudanças”.

Em Agosto de 2019, Donald Trump ameaçou retirar o seu país da Organização Mundial do Comércio (OMC), por alegado tratamento discriminatório, favorecendo a China em detrimento do seu país. Durante a sua campanha eleitoral, em 2016, já a havia classificado como “caduca”. No mês anterior, acusou-a de estar a favorecer os países em desenvolvimento. Nos dois mandatos de Barack Obama – com Joe Biden como o seu braço-direito – assistiu-se à valorização do papel dessas instituições internacionais.

Ao dar reforço ao papel das instituições internacionais, Obama não pretendeu pôr em causa os interesses fundamentais dos EUA. Do meu ponto de vista, ele quis simplesmente reconhecer a crescente importância de outros actores, muitos deles tidos, até então, por países emergentes.

Não creio, pois, que Joe Biden vá entrar em contradição com uma política que permitiu à América recuperar o prestígio que vinha perdendo, fruto dos impulsos isolacionistas do anterior inquilino da Casa Branca. Com o regresso ao multilateralismo, o Mundo vai poder respirar com um pouco de mais alívio.

Leia o artigo completo na edição de Dezembro da Economia & Mercado ou assine em https://appeconomiaemercado.com/office/cliente/angola/login.php

The legacy of Trump in the “Joe Biden” era (I)

The “Joe Biden Era” will introduce a substantial change in international relations, with a new positioning of the United States of America.

The return to multilateralism In May 2020, President Donald Trump announced that the US would leave the World Health Organization (WHO), which he accused of serving China, and even stated that China “instigated a Global Pandemic” that had already caused the deaths of 100,000 Americans. He also said that the WHO was “deceiving the world about the virus”. Days earlier, he had advised the Organization to change its “modus operandi” and make changes in its structure. This was followed by Trump’s suspension of the payment of the US’s annual contribution to the organization –US$400 million, corresponding to 15% of the institution’s budget.

Two years earlier, in 2018, US Secretary of State Mike Pompeo announced that the US would withdraw from the UN Human Rights Council. He did so in a press conference, accompanied by Nikki Haley, US Ambassador to the UN, claiming that there was “chronic anti-Israeli prejudice ”within that institution. He thought it was necessary for it to make “great and dramatic changes”.

In August 2019, Donald Trump threatened to withdraw the US from the World Trade Organization (WTO) for alleged discriminatory treatment, favoring China over his country. During his election campaign in 2016, he had already rated it as de outros actores, muitos deles tidos, até então, por países emergentes.

Não creio, pois, que Joe Biden vá entrar em contradição com uma política que permitiu à América recuperar o prestígio que vinha perdendo, fruto dos impulsos isolacionistas do anterior inquilino da Casa Branca. Com o regresso ao multilateralismo, o Mundo vai poder respirar com um pouco de mais alívio.

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