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Transformação digital da banca angolana debatida em Luanda

Os bancos angolanos começam a preocupar-se com os custos operacionais, considerando o número elevado de agências bancárias que compõem o circuito financeiro.

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Cláudio Gomes
Fotografia
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Carlos Aguiar
Cláudio Gomes

Neste sentido, a Revista Economia & Mercado (E&M) promoveu, recentemente, em Luanda, uma conferência onde abordou "A Transformação Digital da Banca Angolana". No evento, destacou-se, entre outras conclusões, o papel da banca digital na optimização de custos no sector e como ela pode impulsionar a inclusão financeira no país.

De acordo com Nuno Fernandes, director-geral da Edicenter - empresa que detém a revista E&M, o evento serviu para refletir a evolução da banca digital, tendo como indicativo os utilizadores de serviços digitais em Angola.

“Este evento analisou a evolução da banca digital no país, tendo em conta que cerca de 35% da população utiliza os serviços digitais. Este indicador nos levou a fazer uma análise sobre o presente e futuro dos serviços digitais da banca”, disse, afirmando que a banca digital no país "está ainda na sua fase inicial".

Acrescentando, o gestor disse que transformação digital da banca ocupa um espaço importante no sector, por oferecer soluções tecnológicas necessárias para a contenção de custos e optimização dos processos bancários.

“A banca neste momento está a viver um momento muito peculiar no que se refere a boa gestão dos custos e os serviços digital posicionam-se como uma solução que promove maior proximidade e menores custos”, considerou, afirmando que a população angolana tem sensibilidade para a inovação e para a utilização dos meios digitais.

Nuno Fernandes disse, ainda, que a evolução da banca digital passa pela qualidade dos recursos humanos das operadoras do sector da banca e não só.

“A banca digital requer melhor especialização dos recursos humanos”, referiu, salientando que nem sempre a digitalização dos serviços vai significar uma redução da força de trabalho, antes pelo contrário estimula uma melhor especialização”.

Para o director-geral da Coseba - empresa fornecedora de serviços electrónicos, os serviços de pagamentos móveis vão permitir o fomento do e-Commerce no país e facilitar os utilizadores.

“Angola está no bom caminho", afirmou, salientando que a instalação de meios de pagamentos móveis como os multicaixas express permitirão o fomento do e-Commerce, bem como facilitará a conveniência entre os operadores e os utilizadores, para que possam fazer os seus pagamentos de forma fácil”, reconheceu, considerando inovadoras as iniciativas levadas a cabo pela IMIS -  EmpresaInter Bancária de Serviços de inovadoras.

Por outro lado, Cláudio Kiala, da Soba E-Store – plataforma de comércio electrónico e facilitadora de pagamentos online, disse que o baixo nível de literacia digital por parte da população angolana pode ser invertida com acções de sensibilização e exclarecimento sobre as funcionalidades das aplicações electrónicas.

“Temos ainda um nível de literacia digital muito baixo,que dificulta o acesso a estes serviços. Precisamos trabalhar na educação digital dos clientes, de modo a prova-los que a utilização dos serviços digitais são seguros e que realmente funcionam”, desafiou, alertando que tal medida irá retirar a ideia de que se ganha mais dinheiro no banco a medida em se faz mais pagamentos online”.

O evento contou com a presença de representantes da banca privada, representantes ministeriais, empresários, académicos e jovens empreendedores, especialistas, com destaque para o Presidente do Conselho Executivo da Empresa Interbancária de Serviços (EMIS), Eng. José Gualberto Matos; o Director do Departamento de Sistemas de Pagamento do Banco Nacional de Angola, Eng. Edgar Bruno; e o CEO da startup Soba E-Store, Cláudio Kiala.

A Revista E&M, de periodicidade mensal, é uma publicação de referência orientada para a informação económica, empresarial e financeira, mas também para a generalidade dos acontecimentos, existe há 19 anos no mercado de publicações em Angola.

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