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A tripla dimensão da China

Justino Pinto de Andrade
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Foto:
DR

Nos últimos anos, muito se tem falado sobre o invulgar desempenho da economia chinesa, praticamente a única com taxas de crescimento extraordinárias.

A ascensão da economia chinesa é somente a parte visível de um verdadeiro “iceberg”, por debaixo do qual estão, pelo menos, mais duas outras dimensões: um bem programado crescimento do seu poderio militar, e um cada vez mais claro posicionamento na conquista do espaço.

A China já é considerada a segunda potência militar do mundo, tendo apenas à sua frente os EUA. Está também em segundo lugar no ranking de vendas de armamento, tendo deixado para trás a Rússia, mesmo que não faça grande alarde sobre o seu poderio. Possui agora um segundo porta-aviões – construído por meios próprios – usado para consolidar pretensões territoriais no Mar da China Meridional, sobre potenciais contendores: Vietnam, Malásia, Filipinas e, em especial, Taiwan.

Com dois porta-aviões, a China colocou-se à frente da Rússia, França, Reino Unido e Índia – que têm somente um porta-aviões – mantendo-se, porém, ainda longe dos 11 detidos pelos EUA. Tem, porém, o maior contingente militar do mundo, com 2 milhões de efectivos, contra 1,3 milhões dos norte-americanos.

A China já marca posição na conquista do espaço, uma velha ambição que vem do tempo de Mao Tsé-Tung. Recordo que, aquando do lançamento, pela URSS, do primeiro satélite feito pelo homem, o Presidente Mao manifestou tal ambição, dizendo: “Nós também fabricaremos satélites!”. Um sonho realizado, sendo o terceiro país do mundo a possuir um Programa Espacial autónomo, tal com os Estados Unidos e a Rússia.

Estando presentemente a investir biliões de dólares no seu Programa Espacial, vai colocar em Marte, no ano 2021, um veículo robótico controlado remotamente. E como uma “cereja em cima do bolo”, está em vias de construir uma Estação Espacial, para rivalizar com a Estação Espacial Internacional (ISS), que é fruto da cooperação entre os EUA, Rússia, Europa, Canadá e Japão. Acabou, há dias, de colocar no solo lunar uma sonda, para colectar amostras de rochas lunares. O objectivo seguinte é estabelecer uma base na Lua.

Daí que qualquer negociação com a China deva ter, pelo menos em conta, essa tripa dimensão: económica, militar e espacial.

Leia o artigo completo na edição de Janeiro, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

The triple dimension of China

In recent years, much has been said about the unusual performance of the Chinese economy, practically the only one with exceptional growth rates.

But the rise of the Chinese economy is only the visible part of a real “iceberg”, beneath which are at least two other dimensions: a well-planned growth of its military power and an increasingly clear positioning in the conquest of space.

China is already considered the second military power in the world, with only the USA ahead. It is also in second place in the ranking of arms sales, having left Russia behind, even if it does not make a big fuss about its power. China now has a second aircraft carrier - built in-country - used to consolidate territorial claims in the South China Sea over potential contenders: Vietnam, Malaysia, Philippines and especially Taiwan.

With two aircraft carriers, China has placed itself ahead of Russia, France, the United Kingdom and India – at one aircraft carrier each - while still remaining far from the 11 the U.S. possesses. But, it has the largest military contingent in the world, with 2 million personnel, against 1.3 million in the U.S.

China is already in a position to conquer space, an old ambition that comes from the time of Mao Zedong. I recall that when the USSR launched the first man-made satellite, Chairman Mao expressed this ambition by saying: “We will also manufacture satellites!” A dream come true, being the third country in the world to have an autonomous Space Program, just like the United States and Russia.

As it is currently investing billions of US dollars in its Space Program, it will put a remotely controlled robotic vehicle on Mars in 2021. And like a “cherry on the cake”, it is in the process of building a Space Station to rival the International Space Station (ISS), which is the result of cooperation between the U.S., Russia, Europe, Canada and Japan. A few days ago, a probe was just placed on the lunar ground to collect samples of lunar rocks. The next objective is to establish a base on the Moon.

That is why any negotiation with China must, at least, take into account that triple dimension: economic, military and space.

Read the full article in the January issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).