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Abastecimento de sangue seguro em risco, alerta OMS

Com a pandemia da covid-19, o abastecimento de sangue seguro está em risco, alerta a directora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África.

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As campanhas regulares de doação de sangue estão a ser adiadas e as medidas de confinamento, bem como o medo de ficar infectado, estão a dissuadir os doadores de se deslocarem até aos serviços que tratam da colheita de sangue, alerta a directora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, Matshidiso Moeti.

Em vésperas de mais um Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em África a 14 de Junho de todos os anos, a dirigente destacou, em comunicado, que as perturbações que afectam a cadeia mundial de abastecimento também colocam os países em risco de escassez de fornecimentos e equipamentos essenciais para a dádiva e transfusão de sangue.

“Estão a ser realizados ensaios clínicos para avaliar a eficácia da utilização de plasma de sangue de doentes recuperados da covid-19 para reduzir a gravidade da doença em pessoas infectadas. Esta abordagem foi utilizada pela Guiné na epidemia do Ébola em 2014, antes da disponibilidade de vacinas e terapêuticas contra a doença”, assinalou Matshidiso Moeti.

A médica, especialista em medicina geral, informa que 150 pessoas que recuperaram da covid-19 indicaram estar dispostas a dar plasma em conformidade com a decisão nacional de recorrer à seroterapia com plasma para doentes com covid-19 nos cuidados intensivos.

O maior desafio que muitos países africanos enfrentam com esta abordagem, segundo a médica de origem botsuanesa, é a falta de recursos dos serviços nacionais de sangue para recolher, processar e armazenar em total segurança plasma convalescente covid-19 de qualidade.

“No entanto, a actual pandemia também deve ser vista como uma oportunidade de melhorar esta situação”, adverte Matshidiso Moeti, tendo acrescentado que o Quénia, por exemplo, dedicou uma parte do financiamento do Banco Mundial especificamente à melhoria dos serviços de sangue durante a pandemia.

O acesso universal a sangue seguro é um factor-chave para um sistema de saúde resiliente e contribui para a realização da cobertura universal de saúde, afirma a OMS, salientando que, na região africana, os países estão a realizar progressos na melhoria do acesso a produtos sanguíneos de qualidade.

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