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“Abrem-se menos contas 
e menos agências bancárias”

Pedro Castro e Silva acredita que muitas iniciativas de investimento no sector das telecomunicações não aconteceram por força da não disponibilização dos pagamentos da dívida pública.

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Fotografia
:
Carlos Aguiar

O administrador do Banco Nacional de Angola (BNA) garante, entretanto, que estão a ser feitos esforços para a regularização dos pagamentos atrasados, o que permitirá o surgimento de novos investimentos nas telecomunicações. Formado em França e nos Estados Unidos da América, em Finanças e em Negócios, respectivamente, o administrador do BNA iniciou a sua carreira na Sonangol EP, em 1999, como técnico da Direcção de Economia e Concessões. Pelo segundo ano consecutivo, fez o encerramento da Conferência E&M sobre Transformação Digital, desta vez com a intervenção que aqui transcrevemos e na qual afirma que esse tema representa, actualmente, uma área de negócio no sector financeiro sobre a qual os bancos devem pensar se é sustentável.

Dívida pública em queda

“Gostaria de aproveitar estas ocasiões para partilhar alguma informação sobre o ambiente macroeconómico de uma forma geral, mas que depois, no fim do dia, tem impacto na transação digital no sector financeiro. Em 2017, por causa do défice fiscal, Angola tinha necessidade de financiamento de 48 mil milhões de dólares. Em 2019, essas necessidades reduziram para 30 mil milhões de dólares e esperamos que, em 2020, reduzam para 18 mil milhões de dólares.  Às vezes focamo-nos em discutir as componentes do orçamento – o que é um exercício muito positivo –, mas é preciso também olharmos para a floresta toda e perceber o que é que está a acontecer ao nível de todo o processo de estabilização macroeconómica. O facto de em três anos conseguirmos reduzir as necessidades de financiamento ao Orçamento Geral do Estado (OGE) em 30 mil milhões de dólares, é um trabalho notável que está a ser feito do lado do físico.

Há um outro indicador, muito mais mediatizado, que é o do serviço da dívida, que em 2018 foi de 22 mil milhões de dólares, cerca de 1/5 do Produto Interno Bruto nacional. Em 2019 fixou-se em 15 mil milhões, e espera-se que mantenha a tendência decrescente nos anos subsequentes.

O nosso desafio não é o dinheiro, porque o país tem dinheiro. O desafio é o alargamento da base fiscal, considerando que, com a retoma de investimentos parados, haverá mais empresas a funcionarem e a pagaremos impostos. É preciso que depois terá impacto directo na economia.

Esta questão também tem impacto nas Reservas Internacionais Líquidas (RIL), que temos de manter num patamar mínimo sustentável. Em 2017, em termos médios, perdíamos, por mês, 600 milhões de dólares. Fechámos o ano de 2018 com 10,6 mil milhões de dólares de RIL, e a 30 de Setembro de 2019 tínhamos 10,1 mil milhões de dólares. Portanto, esse esforço de ajustamento no mercado cambial foi o necessário para mantermos esses níveis de reservas. Nós ainda precisamos de divisas até para nos alimentarmos,e é isso que tem de mudar. Podemos fazer um ajustamento do lado fiscal (reduzindo a dívida e a despesa) e um ajustamento do kwanza), mas se não acertarmos no sector real, daqui a três ou quatro anos, vamos outra vez encontrar o mesmo problema que estamos a viver. E a questão que hoje se coloca é se de facto temos uma crise cambial ou uma crise de produção interna. Ou seja, precisamos de produzir mais para dependermos cada vez menos das importações”.

Leia mais na edição de Janeiro de 2020

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