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África do Sul: uma coligação com partidos radicais ameaça a estabilidade macroeconómica - Fitch

Victória Maviluka
6/6/2024
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Foto:
DR

Investidores e comunidade empresarial estão preocupados com a aproximação de novas perturbações nos mercados financeiros após as eleições legislativas de 29 de Maio.

Uma decisão do Congresso Nacional Africano (ANC) de formar uma coligação governamental com partidos radicais na África do Sul corre o risco de pôr em risco a estabilidade macro-económica do país, alertou a agência de classificação Fitch Ratings. 

O ANC, partido de Nelson Mandela, perdeu, pela primeira vez em 30 anos, a maioria na Assembleia Nacional, ao obter apenas 40% dos votos expressos nas últimas eleições legislativas. 

Enfraquecido durante estas eleições altamente contestadas, o ANC é forçado a fazer alianças com outros partidos políticos para formar um governo de coligação.

Na sua mais recente perspectiva, a Fitch destacou que a próxima configuração governamental sul-africana, que deverá surgir na sequência de negociações políticas em curso, poderá ter implicações significativas para a estrutura macro-económica do país.

A agência refere que um pacto com partidos populistas de esquerda ‘umKhonto weSizwe (MKP)’, do ex-presidente Jacob Zuma, e os Combatentes pela Liberdade Económica (EFF) poderia representar riscos adicionais para a trajectória da dívida do país, que já enfrenta dificuldades orçamentais significativas.

A Fitch observa que ambos os partidos propõem políticas radicais, como a expropriação de terras, a nacionalização de sectores-chave da economia e o fim da consolidação fiscal, pelo que uma aliança com estas formações políticas poderia desencadear um enfraquecimento da confiança generalizada dos investidores e uma erosão da governação.

Os investidores e a comunidade empresarial estão, assim, preocupados com a aproximação de novas perturbações nos mercados financeiros após as eleições legislativas de 29 de Maio, segundo especialistas sul-africanos, citados pelo portal Le360.

“A África do Sul está numa encruzilhada”, diz Anne Frühauf, directora-geral do grupo de consultoria de risco ‘Teneo’, observando que a incerteza permanece enquanto todos os resultados da coligação são possíveis, sendo a dinâmica interna do ANC um factor determinante na escolha da política e alianças que traçarão o futuro do país.

A directora da Federação das Empresas Sul-Africanas (BLSA), Busisiwe Mavuso, sublinhou que a África do Sul precisa de um governo estável, capaz de recolocar a economia nos trilhos, a fim de criar empregos e receitas fiscais.