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África tenta navegar contra a tempestade da Covid-19

A Comissão Económica para África da Organização das Nações Unidas (UNECA) estima que a pandemia da Covid-19 poderá levar à morte cerca de 300 mil africanos.

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Fotografia
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ISTOCKPHOTO

A referida comissão refere também que mais de 29 milhões de pessoas poderão ser levadas à pobreza extrema. Essas previsões são consideradas “afro-pessimistas”, pois os países africanos mostram ter aprendido com os erros do Ocidente.

O número de casos positivos da Covid-19 continua a crescer em todo mundo, com os Estados Unidos da América e a Europa a responderem pelo maior número de infecções e mortes causadas pela doença, enquanto África, onde a maioria dos países se confronta com um sistema sanitário e de saúde débil, regista pouco mais de duas dezenas de milhares de casos.

Segundo analistas, a experiência africana em lidar com epidemias, como a cólera, Ébola, malária e outras crises sanitárias, assim como o baixo fluxo turístico no continente comparativamente a outras regiões, justificam os actuais números.

No entanto, as previsões da Organização Mundial da Saúde sobre o impacto da doença no continente africano apontam nos próximos seis meses, atingindo-se até dez milhões de pessoas infectadas e pelo menos 300 mil mortes. Acresça-se ainda que mais de 29 milhões de africanos poderão ser empurrados para a pobreza extrema, daí que a UNECA defendeu, num relatório publicado em Abril, um apoio de 100 mil milhões de dólares para África dar uma resposta ao nível do melhoramento da rede de saúde e segurança social.

Já o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu que África precisa de 200 mil milhões de dólares para enfrentar a crise, tendo pedido aos credores a suspensão da dívida a todos os países em desenvolvimento, e não apenas aos mais pobres, pois muitos enfrentam dificuldades devido a uma recessão global provocada pela pandemia da Covid-19.

Apesar dos reduzidos casos positivos de Covid-19 em África, os efeitos socioeconómicos da pandemia no continente já são visíveis, com a agravante de as maiores economias africanas serem dependentes da exportação de matérias-primas, como é o caso de Angola e da Nigéria.

Em finais de 2019, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) previa, para 2020, um crescimento médio de 3,4% para África. No entanto,com o impacto negativo da Covid-19 em sectores chaves da economia, como turismo, viagens, exportações, bem como a queda dos preços das commodities e a diminuição dos recursos dos governos para financiar o investimento público, a União Africana (UA) afirma, no seu relatório sobre a Covid-19 nas economias africanas, que “seria quase impossível alcançar essa previsão optimista das taxas de crescimento em 2020”.

O documento, intitulado “Impact the Coronavírus (Covid-19) on African Economy” perspectiva que o crescimento de África caia “drasticamente para taxas negativas”, contra as previsões anteriores, para-0,8%, num cenário realista e para -1,1%, num cenário pessimista.

Leia mais na edição de Maio de 2020

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