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Agentes da polícia acusados de facilitar violação da cerca sanitária de Luanda

A circulação na fronteira, Luanda/Bengo, mais concretamente, na localidade de Kifangondo, está facilitada. Enquanto uns cumprem com as orientações do governo outros usam Caminhos Fiotes.

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José Zangui
Fotografia
:
Carlos Aguiar
José Zangui

Segundo denuncias de fontes contactadas pela reportagem da Economia & Mercado (E&M), há quem espera a calada da noite para transpor a fronteira com a ajuda das forças de defesa e segurança, que a troco de 1000 a 2000 kwanzas, assistem o “filme” que pode propagar a doença.

O relógio assinalava 8 horas da manhã da sexta-feira, 19, quando a reportagem da Revista E&M, chegou a localidade de Kifangondo, fronteira entre as províncias de Luanda e do Bengo.

Dezenas de pessoas esperavam, desde às 5 horas da manhã, por uma oportunidade para furar a cerca sanitária imposta à província de Luanda. A fila dos que aguardam é enorme e o distanciamento social recomendado pelas autoridades sanitárias passa despercebido entre as pessoas aglomeradas na fronteira. Ou seja, basta abanar uma credencial  para entrar e sair. Há quem, favorecidos por agentes da polícia, prefira furar cerca sanitária a calada da noite, de acordo com denuncias feitas no local. Entretanto, a população mostra-se preocupa com o risco de contágio.

A saída e entrada tem o beneplácito do Governo do Bengo, das 6 às 10 horas, no período da manhã, e das 15 às 18 horas, no período da tarde, desde que os interessados apresentem documentos que justifiquem a circulação.

A governadora provincial do Bengo, Mara Baptista Quiosa, justificou a decisão com a necessidade de fazer funcionar os serviços, visto que, segundo referiu, muitos funcionários da província residem em Luanda e, entretanto, há quem mora naquela província mas trabalha em Luanda. Têm também luz verde, as vendedeiras do mercado do Panguila, camponeses e pessoas com problemas de óbito, devidamente documentadas.

Os que não reúnem os requisitos formais referenciados, normalmente, “colaboram” com a polícia, para furar a cerca, quer seja durante o dia como durante as noites em troca de dinheiro. A prática segundo dizem os populares pode concorrer para o contágio e a consequente propagação da Covid-19.

De acordo com Manuel Domingos, ajudante de camião, que tentava sair de Luanda e dos poucos que aceitou ser citado, alguns agentes da polícia destacados no posto cobram, entre 1000 a 2000 kwanzas, sobretudo, na calada da noite.

O nosso interlocutor, relatou casos de pessoas que ficam até as 22horas a espera de um entendimento com a polícia para furar a cerca sanitária. “ É um perigo a saúde, aqui não se faz teste e todo mundo entra”, denunciou.  

“Eles pedem para colaborar, o quê colabora? Significa dar dinheiro para passar, refere, outra fonte, para mais adiante, afirmar que, esse tipo de comportamento coloca as pessoas em risco. Aqui não se vê nada de cerca”, chama a atenção para a forma ignorante como se encara a situação sanitária do país.

Três minutos depois da conversa mantida entre a equipa de reportagem da E&M e as pessoas interessadas em furar a cerca sanitária, um agente da polícia, trajado de farda de campanha tentava subornar o repórter da Revista E&M. “Queres passar? Colabora”, disse descaradamente, o agente, sem no entanto, ter visto o passe de serviço do repórter.

Encabulado, como é obvio, o chefe do posto de segurança em serviço, confrontado pela E&M, negou as acusações, tendo, entretanto, admitiu, em off, que facilitam idosos e vendedeiras.

A administradora do mercado do Panguila, Ana Rosa Lopes, reforçou que, por orientação da governadora provincial do Bengo, as vendedeiras estão autorizadas a circular, entrar e sair nas duas províncias.

Com aglomerado de pessoas, que esperam horas a fio, sem distanciamento e ainda por cima sem testes, uma vez que apenas mede-se a temperatura, aumenta ainda mais o receio da população sobre o risco de contágio da doença.

Entretanto, a directora do Gabinete Provincial da Saúde, Victória Cambuanda, numa curta conversa por telefone, disse ser um falso problema o receio do contágio, argumentando que, a realidade de Kifangondo é semelhante a das outras fronteiras. A médica assegurou que a província do Bengo está atenta e que as pessoas, cada uma, deve ter consciência do tipo de doença e proteger-se.

Facilitadores podem ser expulsos da polícia

Os relatos sobre a cobrança de dinheiro por parte dos agentes da polícia nacional para facilitarem a violação das cercas sanitários, soam de todos os lados, Kwanza-Norte, Cunene e Zaire e já chegaram aos ouvidos do mais alto mandatário da Polícia Nacional.

O Comandante-geral da corporação, Comissário Geral, Paulo de Almeida, triste com a situação, avisou, na recente visita efectuada na cerca do Kwanza-Norte que, os agentes destacados nos postos fronteiriços que enveredarem em comportamentos indecorosos vão ser expulsos da corporação e apresentados a justiça.

“Todo aquele que cometer dolosamente actos criminais, esses polícias indisciplinados, corruptos, diria mesmo, bandidos, só tem um destino: expulsos da Policia e responderem perante a justiça”, enfatizou, Paulo de Almeida.

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