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Angola acolhe cerimónia do dia Mundial dos Oceanos

A iniciativa contou com a presença de mais de 200 participantes, cujo tema incidiu-se sobre a sensibilização pelos mares sem plásticos.

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Fotografia
:
Carlos Aguiar

Hoje, 08 de Junho, celebra-se o Dia Mundial dos Oceanos. Angola acolheu a cerimónia desta data com uma caminhada na Marginal de Luanda.

A actividade teve como objectivo informar e sensibilizar a população, bem como as entidades públicas e privadas, para esta problemática, apelando a acções concretas, que vão desde pequenos gestos diários (redução de uso de plásticos, reutilização de plásticos, deitar os plásticos no lixo e não na rua, praias, mar), à reflexão sobre a necessidade de políticas públicas e concertadas entre sector público e privado que abordem esta ameaça ambiental e a sua gestão sustentável.

A iniciativa marcada pela presença de mais 200 de participantes, entre os quais, estudantes, professores e entidades de diversas unidades orgânicas da sociedade civil, contou com a participação especial do embaixador da Noruega em Angola, Dr. Kikkan Marshall Haugen, do representante residente do PNUD em Angola, Dr. Edo Stork, assim como de representantes de outras agências que compõem o sistema das Nações Unidas.

Segundo uma nota de imprensa, este ano, a celebração do Dia dos Oceanos a nível mundial é ainda mais impactante, uma vez que se aproxima a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que terá lugar em Lisboa de 27 de Junho a 1 de Julho, reunindo a comunidade internacional para debater questões críticas sobre o estado dos oceanos: combate à poluição marinha, conservação e restauração de ecossistemas, pesca sustentável e alcance do Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS14), ligado aos mares.

O certame foi organizado pelo Ministério da Agricultura e Pescas (MINAGRIP), em parceria com as Nações Unidas em Angola, e em colaboração com o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente (MCTA), Ministério da Juventude e Desportos, organizações ambientalistas, cooperativas do sector das pescas e sociedade civil em geral.

Biodiversidade Oceânica  

Os oceanos cobrem três quartos da superfície da Terra e contêm 97% da água. Segundo as Nações Unidas, mais de 3 mil milhões de pessoas dependem da biodiversidade marinha e costeira para a sua subsistência. Os oceanos desempenham um papel crítico e vital na protecção da saúde do nosso planeta: fornecem oxigénio e alimentos, controlam o clima, absorvem o excesso de emissões de carbono e ajudam a mitigar os impactos das alterações climáticas.

No entanto, 13 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos a cada ano, provocando a morte de 100 mil animais marinhos por ano, além de outros danos. A maioria dos plásticos permanece intacta por décadas ou séculos após o uso, enquanto os plásticos que sofrem erosão acabam como microplásticos, consumidos por peixes e outros animais marinhos, entrando rapidamente na cadeia alimentar global.

O Mar Mediterrâneo é uma espécie de Everest da poluição por plásticos nos oceanos, contaminados. O Fundo das Nações Unidas para a Natureza (World Wide Fund for Nature - WWF) refere que, cerca de 95% dos resíduos que flutuam no Mediterrâneo são compostos por plásticos, o que faz temer que este se transforme num “mar de plástico”. Todos os anos, 0,57 milhões de toneladas de plástico entram nas águas do Mediterrâneo. É o equivalente a 33.800 garrafas de plástico despejadas no mar a cada minuto.

No ano passado, a organização Ocean Conservancy afirmou que, em menos de 10 anos, deverão existir 250 milhões de toneladas de plástico nos oceanos e, em 2050, poderá haver mais plásticos que peixes, caso nada seja feito. De acordo com os estudos da organização, mais de 134 espécies estão contaminadas pela ingestão de plástico no Mediterrâneo, o mar mais contaminado do Mundo.

O WWF afirma que o problema não é novo e resulta do fracasso dos países mediterrânicos na questão dos resíduos plásticos. Entre os litorais mais contaminados na costa mediterrânica estão vários destinos turísticos, entre os quais, Barcelona e Valência, em Espanha; Telavive, em Israel; Marselha, em França e Veneza, em Itália.

A bacia hidrográfica do Mediterrâneo inclui Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egipto, Israel, Líbano, Turquia, Grécia, Albânia, Bósnia e Herzegovina, Croácia, Eslovénia, Itália, França, Espanha, Chipre, Malta, Síria, Montenegro, Gibraltar, Acrotíri e Deceleia, e República Turca de Chipre do Norte.

Contas feitas, o lixo marinho custa aos sectores do Turismo, Pesca e Transportes Marítimos cerca de 641 milhões de euros por ano.

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