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Angola ambiciona fomentar e exportar grãos para países da África Austral

Cláudio Gomes
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Foto:
DR

‍A estratégia fundamenta-se na institucionalização do Plano Nacional de Fomento da Produção de Grãos (PLANAGRÃO), prevendo a preparação e a produção de grãos de milho, arroz, trigo, soja, até 2027.

Ao intervir no encerramento do Fórum AAPARROZ, que teve lugar, ontem, quinta-feira, 27, em Luanda, o secretário de Estado para a Economia disse que Angola está apostada em tirar o máximo proveito possível dos mais de 50 milhões de hectares de terra arável, prevendo preparar e explorar cerca de 2 milhões de hectares, para a produção de vários cereais entre eles a cultura do arroz no período de 2022 a 2027.

No evento organziado pela Associação Agropecuária de Angola (AAPA), que elegeu “O Conhecimento como Base para o Desenvolvimento da Cultura do Arroz em Angola”, Ivan dos Santos disse que o plano visa promover a segurança alimentar no País, bem como fomentar a exportação desses grãos para os países da África Austral. “Este evento ocorre num momento particularmente sensível que o mundo atravessa (…), face à actual situação geopolítica global, comprometendo uma contínua e regular oferta de grãos e fertilizantes no mercado internacional. Os especialistas antecipam que, no curto prazo, o mercado será marcado por escassez de alimentos e aumento generalizado dos preços”, salientou.

Para o governante, a escassez de grãos nos mercados internacionais, a dificuldade de obtenção de produtos e a escalada dos preços em 2022, em relação aos anos anteriores, apresentam, simultaneamente, “um desafio e uma oportunidade para Angola apostar no fomento da produção de grãos”.

Calcanhar de Aquiles

A certificação é um factor imprescindível para o cumprimento da visão do Executivo angolano tanto em garantir a auto-suficiência e a segurança alimentar como para a exportação de grãos para países da África Austral, da Europa ou do Ocidente.

De acordo com uma apresentação do Instituto Nacional de Cereais (INCER), a política agrária mundial orienta esforços para criação de programas de redução de contaminações nos alimentos, o desenvolvimento da agricultura sustentável, investimento em infra-estruturas económicas (acessibilidade, energia, irrigações e stocks) e financiamento da produção.

Segundo o documento apresentado pela director-geral do INCER, as decisões de compra de alimentos são baseadas em aspectos como variedade, conveniência, estabilidade de preço e valor, adicionam agora qualidade, nutrição, sustentabilidade ambiental e segurança.

Citando Pessanha IDEC 2007, Maria José explicou, actualmente, o conceito de segurança relacionados aos alimentos significa para os países em desenvolvimento problemas de acesso a padrões nutricionais suficientes de alimento “Food Security” contra o Food Safety (segurança do alimento livre de contaminações).

Durante a dissertação, referiu que a expressão “segurança alimentar (e nutricional)” envolve a garantia de oferta de alimentos no território nacional, a garantia de acesso aos alimentos a todos os cidadãos, garantia da qualidade sanitária e nutricional dos alimentos consumidos, a garantia de conservação da base genética agro-alimentar para as gerações futuras.

Contudo, olhando para o contexto angolano, disse que é preciso uma política de classificação e controlo de qualidade, bem como regular a actividade produtiva de grãos. “A agricultura não é feita só caminhões e transportes”, criticou, referindo que actualmente não existe, no país, “a boa assistência técnica”. Defendeu, no entanto, a criação de um sistema nacional de vegetais e uma política para os cereais.

Fomentar a produção nacional de trigo, arroz, soja e milho em grande escala em Angola, contribuindo para a auto-suficiência e segurança alimentar; melhorar a produtividade dos solos e consequentemente a rentabilidade das explorações agrícolas, são alguns dos nove objectivos específicos do PLANAGRÃO  para o período 2022 a 2027.