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Angolanos investiram 4 mil milhões USD lá fora em um ano

A posição líquida do investimento internacional, referente ao III trimestre de 2021, registou uma melhoria do seu défice na ordem de 7,2%.

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José Zangui
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José Zangui

O Banco Nacional de Angola (BNA) publicou recentemente as estatísticas externas referentes ao terceiro trimestre de 2021, nomeadamente a Balança de Pagamentos e a Posição do Investimento Internacional.

Os dados mostram que continua a haver mais investimento estrangeiro no nosso país que investimentos de angolanos lá fora, mas o défice do investimento externo, que é a diferença entre o valor do investimento estrangeiro em Angola e o investimento de angolanos lá fora, saiu de um valor negativo de 28,11 mil milhões de dólares para um valor negativo de 26,09 mil milhões de dólares, como resultado do aumento dos activos financeiros na ordem de 5%. Ou seja, num período de três meses, os angolanos investiram mais 2,34 mil milhões de dólares lá fora.

Quando olhamos para o valor do défice do período homólogo, isto é, do terceiro trimestre de 2020, nota-se que, num espaço de um ano, os angolanos investiram mais 4,22 mil milhões de dólares lá fora, tendo resultado na redução do défice do investimento externo de 31 mil milhões para 28 mil milhões de dólares.

O maior crescimento registou-se na rubrica Outros Investimentos que contabilizou um aumento no valor de 3,26 mil milhões de dólares. O investimento directo dos angolanos lá fora aumentou 163,6 milhões de dólares, sendo que o Investimento de Carteira(acções em empresas, títulos e participações em fundos de investimento) registou uma queda no volar de 113,31 milhões de dólares.

De uma maneira global, os angolanos têm uma riqueza acumulada lá fora no valor de 49,33 mil milhões de dólares, enquanto que os estrangeiros têm uma riqueza acumulada em Angola no valor de 75,47 mil milhões de dólares, o que corresponde a um défice de 28 mil milhões de dólares.

As estatísticas mostram também que o stock das reservas internacionais brutas registou uma acumulação de 1,38 mil milhões de dólares, ao passar de 14,87 mil milhões de dólares no final de 2020 para 16,25 mil milhões de dólares no terceiro trimestre de 2021, correspondentes a uma cobertura de cerca de 9 meses e uma semana de importação de bens e serviços. Entretanto, os dados referentes a este mês mostram que as Reservas Internacionais Líquidas, que servem para atender necessidades de curto prazo, estão avaliadas em 9,475 mil milhões de dólares.

Em resumo, refere o BNA, a conta corrente da balança de pagamentos mantém a sua trajectória positiva, tendo apresentado um saldo superavitário na ordem de 2,29 mil milhões de dólares, equivalente a 12% do Produto Interno Bruto.

O aumento das exportações de bens, com realce para o petróleo bruto, decorrente da recuperação do seu preço médio no mercado internacional, contribuiu “significativamente para o desempenho positivo da conta corrente, não obstante o aumento das importações de bens e serviços”, refere o documento do BNA, salientando que, o desagravamento do défice dos rendimentos primário contribuiu, igualmente, para a melhoria da conta corrente.

Por outro lado, a conta financeira registou um saldo superavitário de 1,66 mil milhões de dólares, influenciado, principalmente, pelo aumento dos activos de reserva e redução dos passivos do investimento directo.

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