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Cachorro de banana pão

Nuno Fernandes
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Foto:
Carlos Aguiar

A expressão não é minha mas quis aproveitá-la, com a devida vénia, para titular este apontamento que deriva da entrevista concedida à TPA pelo ministro do Comércio e Indústria.

Estava à espera de perceber qual a estratégia para resolver os enormes problemas que se colocam ao seu ministério, principalmente os que, em combinação com outros sectores do país, conduzam à criação de condições par a uma produção nacional que, numa primeira fase, satisfaça a procura interna e, numa segunda, a exportação. Queria ouvir como pensamos reduzir os nossos custos de produção, condição importante para atrairmos investimento estrangeiro por forma que os produtos que internamente produzimos se tornem competitivos face àqueles que importamos. Não vale apenas produzirmos internamente se isso nos custa mais do que importarmos. E par a reduzirmos os nossos custos temos de olhar para imensas variantes: o custo do crédito bancário, a distribuição de energia, a rede de estradas processos burocráticos, entre outros. Uma legislação que confira segurança a quem quer investir. Era um processo sobre que teria gostado de ouvir o ministro. Penso que todos nós. Mas na ausência de soluções tivemos uma “lição” de nutrição.

Não havendo dinheiro, e provavelmente na ausência de uma estratégia para produzirmos trigo para fazer farinha para pão, o mais fácil foi oferecer como solução a substituição deste por batata-doce, uma boa dose de bananas, abacate e outros quitutes da terra. Mas não se explicou qual o custo destas nossas iguarias. Mais baratas que o pão? Acho, francamente, que esse não é o caminho. Não é eliminando o pão da alimentação base que resolvemos o problema. Até porque já produzimos, no passado, muito trigo na Huíla, Huambo e Bié. De Junho a Setembro, produzia-se no país trigo de regadio e em Fevereiro com a época das chuvas.

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