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Cerâmica, outro lado de uma Luanda abandonada

Sem estrada para o acesso à vila de Cacuaco, a população da zona da Cerâmica considera-se esquecida pela Administração Municipal.

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José Zangui
Fotografia
:
Andrade Lino
José Zangui

Crianças como Maria Patrícia percorrem mais de três quilómetros a pé, saindo do bairro Katana, onde reside, para a Cerâmica onde frequenta as aulas. A rotina é a mesma para a menina de apenas 10 anos de idade, que todos os dias úteis percorre a referida distância expondo-se a riscos como charcos cabo de transporte de corrente eléctrica entre o lixo, além da falta de táxi.

Os que vão a busca do pão de cada dia são obrigados a usar a famosa chinela Kupapata, ou botas pretas, para fazer face ao lamaçal e aos inúmeros charcos dispersos um pouco por toda zona da Cerâmica. Para quem opta por um transporte deve submeter-se aos serviços prestados pelas carrinhas com tracção nas quatro rodas (4x4), ou viajar a reboque de motorizadas de três rodas, vulgarmente conhecidas por kupapatas.

Por corrida, em cada um destes meios rolantes, paga-se um valor que ronda os 200 aos 300 kwanzas. Entretanto, para os que têm alguma urgência em chegar ao destino (local de trabalho ou de residência), submetem-se a tarifas mais altas que variam entre os 500 a 400 kwanzas por corrida, a depender da hora, para se transportar em motorizadas de duas rodas (conhecidas como sendo de todo terreno).

Ao cair da tarde, das 18 horas em diante, o risco de circulação é  maior, segundo revelaram os entrevistados da Economia & Mercado. Há relatos frequentes de  assaltos a mão armada, conforme contou Amado Dialo, cidadão Guineense, que enfrenta a difícil realidade há oito anos.

Amado Dialo, cidadão Guineense

A via que liga o bairro da Cerâmica, no município de Cacuaco, para ao município de Viana, ou a que liga o mercado do Kicolo, esta tudo bloqueada. As pontes estão partidas. São no total duas pontes, sendo conhecida “Ponte do Cavuquila”, uma alusão a um antigo administrador do município de Cacuaco e a outra é conhecida por Ponte Chendovava, esta última que dá acesso ao mercado de Kicolo.

Há cerca de quatro anos, o Governo tentou, sem sucesso, concluir as obras de asfaltagem da rota Viana-Cacuaco.  Os entrevistados alegam, contudo, que o município de Cacuaco está a ser vítima por ser conotada como sendo a praça eleitoral da oposição, em Luanda.

Neste sentido, Simba Pedro, morador, acusa a Administração de Cacuaco de ter desviado o dinheiro destinado para concluir as referidas obras. Simba, que tal como os demais moradores, para ir trabalhar tem de levar roupas alternativas num saco preto, todos os dias, devido as chuvas. Para a fonte, o que se vive naquela zona do município de Cacuaco é uma verdadeira violação dos Direitos Humanos.

Mais oito meses de sofrimento  

A situação que se vive há anos na zona da Cerâmica, em Cacuaco é descrita pela Administração como preocupante e que vai merecer atenção no âmbito do Plano Integrado de Intervenção dos Municípios (PIIM).

O director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa (GCII), Ernesto Miúdo disse ter conhecimento da realidade.

De acordo com o Porta-Voz da Administração, Ernesto Miudo, a obra esta inscrita no âmbito do PIIM, e deve ser concluída dentro de oito meses, permitindo, desde modo, a ligação entre os municípios de Viana e Cacuaco.

Porta-Voz da Administração, Ernesto Miudo

Por outro lado, o responsável nega as alegações levantadas por alguns populares sobre eventual exclusão por opção de voto e, acrescentou, que o actual governo já sabe quem vai votar nele.

A chuva e o lixo que marcam a actualidade nos últimos tempos. De acordo com Ernesto Miudo, estas, com efeito, não são culpa do Governo, mas dos próprios moradores que constroem até em zonas de saídas de águas sem autorização oficial.

Para algumas famílias desalojadas pelas chuvas, a administração de Cacuaco está a oferecer chapas de zinco.

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