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Competitividade empresarial. Corrupção e falta de quadros são os principais entraves

Redacção_R&S
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Angola continua a apresentar reduzidos índices de competitividade empresarial, posicionando-se, em 2013, em 142º lugar entre 148 países, segundo o inquérito efectuado pelo World Economic Forum.

Angola continua a apresentar reduzidos índices de competitividade empresarial, posicionando-se, em 2013, em 142º lugar entre 148 países, segundo o inquérito efectuado pelo World Economic Forum. A corrupção e a falta de mão-de-obra qualificada são os principais factores que travam a competitividade da economia empresarial em Angola, revela o estudo da instituição.

O inquérito apresentado recentemente pelo Instituto de Fomento Empresarial (IFE) mostra que no ano passado a corrupção ocupou a primeira posição entre os obstáculos ao desenvolvimento das empresas, com quase 20%, sendo que a mão-de-obra não qualificada aparece em segundo lugar com 15%. Verifica-se também que as dificuldades de acesso ao financiamento, a falta de ética no trabalho e as questões de saúde pública são igualmente agentes que dificultam o crescimento empresarial. 

 O vice-decano para a Investigação Científica e Pós-Graduação na Universidade Agostinho Neto, João Ferreira, refere que, independentemente dos investimentos, se a corrupção se mantiver, o nível competitivo económico nacional continuará estagnado. “Não é só investir, é necessário que os causadores da corrupção sejam punidos. A grande corrupção que nos faz perder milhões precisa ser resolvida. É preciso criar condições para que os governantes que se aproveitam das posições em que foram colocados como servidores do público, sejam penalizados e parem de complicar a vida do país e dos cidadãos”, defendeu. 

Já o sociólogo João Paulo, que falava no programa “Dia a Dia” do canal 2 da TPA, defende que o país tem um problema endémico de corrupção no epicentro do poder. “Nós temos a corrupção que vai desde a nossa quitandeira até ao mais alto magistrado do país, ou seja, a corrupção em Angola é institucional. São necessárias mudanças dentro do Executivo e que haja igualdade perante a lei para que não existam pessoas intocáveis e não cresça a impunidade”, argumentou. Quanto à falta de quadros, José Severino, Presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), defende que se deve apostar com urgência no ensino básico. 

“Deve-se investir grandemente no ensino de base porque a ascensão do estudante para o ensino médio e superior está pouco fortalecida em conhecimento e capacidade. A problemática começa pelo próprio professor do ensino básico, uma realidade que felizmente já começa a ser resolvida com o Plano Nacional de Formação de Quadros (PNFQ)”, afirma. 

Por seu turno, João Ferreira defende que o PNFQ é apenas uma boa base para avançar mas que falta responsabilidade no cumprimento das políticas. “Falta coerência e responsabilidade. Não adianta optar por grandes explorações agrícolas se não temos as pessoas com o know-how necessário. Essa carência leva-nos a importar os especialistas. Os angolanos devem aprender que não podem depender maioritariamente de quadros importados, para que não continuem a ser o complemento secundário dos estrangeiros”, argumenta. Para o vice decano, a falta de quadros é espantosa e não compreende como as pessoas saem das instituições de ensino com um perfil pobre e sem conhecimento. Na mesma questão, José Severino frisa que se deve prestar atenção à zona intermédia e à base da pirâmide e lançar no país a formação dual. 

“Os jovens devem começar a trabalhar para não passarem o tempo divorciados da realidade objectiva que é o mercado de trabalho, o que não tem acontecido”, rebate. Por outro lado, o responsável refere que a edução no país precisa de um reforço por parte do Orçamento Geral do Estado. As Universidades e todas as instituições de ensino devem criar entre elas concorrências sãs e não funcionarem apenas por questões de facturação, mas de aprimoramento da formação. José Severino defende a aposta nos recursos locais mas lamenta que sem o aditivo externo será difícil Angola melhorar o índice de competitividade. “Competitividade é conhecimento, infelizmente ainda estamos longe dos níveis necessários de competitividade”, disse.

Sector petrolífero é dos que menos cresceu 

O estudo apresentado pelo Instituto de Fomento Empresarial (IFE) no mês de Agosto revelou que em 2013 a desburocratização e formalização da economia, o programa “Meu Negócio, Minha Vida” e a credibilização do país causou algum impacto positivo na economia nacional. Foram licenciados 14 633 estabelecimentos comerciais em todo país, criados 170 quiosques para vendedores ambulantes e foi feita a concessão e financiamento a 26 mil pessoas. A ANIP avaliou e aprovou 181 projectos com um investimento na ordem dos 4,7 mil milhões de dólares.  

 Ainda segundo o estudo, em 2013, o PIB não petrolífero, que em 2012 constituía 53,2% do PIB total, passou a configurar 58,4% do conjunto da riqueza criada. O sector agrícola foi o que registou uma taxa de crescimento mais elevada, com 42,3%, seguindo-se o da energia 34,4% e, a uma grande distância, a indústria transformadora 8,6%, a construção 8,1%, os serviços mercantis 7%, o sector diamantífero 3,3% e as pescas 2,4%. O sector petrolífero, o que mais pesa na economia do país, registou uma variação negativa (-0,9%).  

Segundo o Administrador do Instituto de Fomento Empresarial (IFE), Óscar Rodrigues, os grandes objectivos da economia angolana residem no aumento das exportações não petrolíferas, na redução das importações por via do fomento da produção interna, no aumento da competitividade empresarial das grandes empresas, dos grupos empresariais e das redes de agrupamentos empresariais, no apoio directo ao tecido empresarial com vista ao reforço, reestruturação, monitorização e promoção de projectos estruturantes prioritários e na informação do tecido empresarial sobre o mercado e os seus sectores. 

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