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Covid-19 impõe mudança de comportamento aos angolanos

A Covid-19 tornou-se numa crise sanitária, económica, financeira e social globalizada, sendo o terceiro choque económico, financeiro e social do século XXI, considerou Angel Gurría.

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De acordo com o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), citado pela Angop, na sequência de uma pesquisa do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos e Sociais (CEJES) da Universidade Agostinho Neto (UAN), o actual choque económico, financeiro e social, sucede os atentados de 11 de Setembro de 2001, nos Estados Unidos, e da crise financeira global de 2008.

Para compreender melhor o impacto da pandemia da Covid-19 no contexto angolano, o CEJES da UAN publicou uma pesquisa que reúne dados preliminares de um questionário online realizado no âmbito do Projecto Efeitos Económicos e Sociais do Confinamento Social em Angola, que faz uma breve descrição da evolução da Covid-19 no país e do modo como o Governo angolano tem respondido à crise de saúde pública, destacando a proibição de entrada em território nacional de pessoas provenientes dos países mais afectados com a pandemia, num primeiro momento, e o encerramento das fronteiras aéreas, terrestres e marítimas à circulação de pessoas a partir das 00h00 do dia 20 de Março.

Entre os resultado analisados destaca-se o facto de 91% dos inquiridos mudaram a forma de ocupação do seu tempo, sendo que 87% dos mesmos mudaram a actividade laboral e profissional, 81% as práticas de consumo, 80% as relações familiares e sociais, enquanto as transformações no perfil da procura e nos meios de acesso à informação receberam o menor número de ocorrências (65%).

Segundo a Angop, a pesquisa registou 1.211 respostas válidas, entre 20 de Abril e 4 de Maio de 2020, período da segunda fase do Estado de Emergência, que vigorou no país de 27 de Março a 25 de Maio do corrente ano, permitindo aferir, no respeitante as mudanças no modo de ocupação do tempo, que os inquiridos aumentar o tempo dedicado às actividades domésticas (91%), à comunicação com familiares e amigos (82%), à prestação de apoio aos familiares (60%) e ao lazer/entretenimento (55%).

Contudo, o mais reduzido foi o percentual dos respondestes que incrementaram o tempo despendido em actividade física/desportiva (33%) e estudantil (37%).

Do total dos inquiridos, refere a pesquisa publicado pela UAN, 726 afirmaram desempenhar serviços essenciais, enquanto 426 declararam exercer actividades não autorizadas no quadro das interdições decretadas pelo Estado de Emergência, sendo que 53% se encontrava em situação de teletrabalho, 9% em trabalho presencial por turnos e 38% em trabalho convencional.

Em relação a protecção e segurança pessoal, 79% afirmaram terem acatado as regras de prevenção e higiene associadas aos actos de consumo e 73% reduziram a frequência das deslocações para aquisição de bens essenciais. Já em relações às medidas de higiene e prevenção de contaminação, 91% da amostra assumiu que sempre lava as mãos, 74% mantém recorrente uso do álcool gel, 57% realiza a desinfecção de objectos de uso quotidiano e apenas 47% usa máscaras faciais com frequência.

Entretanto, por outro lado, a opção pela compra de maiores quantidades em cada deslocação 55% e a alteração dos locais habituais de abastecimento 54% foram também relatadas por mais de metade das pessoas, registando-se que apenas 50% dos inquiridos declarou ter reduzido as despesas de aquisição de bens e serviços.

No tocante às mudanças nas relações familiares e sociais, reforça, a preocupação com a saúde e segurança dos familiares e as redes sociais de pertença emergiu como o dado mais expressivo, com 97% de respostas garantindo o cumprimento das regras de distanciamento, higiene e prevenção.

No entanto, 92% reconheceu ter feito uso, com maior frequência e durante mais tempo, das opções proporcionadas pelas novas ferramentas de comunicação e as redes sociais; aproveitado melhor o tempo para conhecer necessidades de familiares e amigos (70%); participado mais nas tarefas domésticas (76%); e usado o tempo para actividades lúdicas com familiares (58%).

No que se refere às mudanças no perfil da procura e meios de acesso à informação, 90% da amostra assumiu ter feito pesquisa específica sobre a Covid-19, enquanto 82% afirmou ter continuado a procurar informação de carácter geral, tendo as redes sociais (88%)  suplantando a Rádio e a TV (85%) como principal meio de acesso à informação.

O estudo da autoria de Carlos Lopes, docente do Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISPTEC), e José Van-Dúnem (UAN), indica também que cerca de 51% professa a religião católica, 29% são protestantes e 15% assumiu não ter religião.

O estudo revelou também que 46% dos inquiridos são mulheres e 56% homens, sendo que a faixa etária com 55 ou mais anos de idade representaram 11% da amostra, maioritariamente constituída por pessoas com idades entre os 25 e 44 anos (59%), sobretudo indivíduos entre os 35 e 44 anos (34%).

De acordo com a Angop, a maioria dos entrevistados (71%) declarou ter graduação (licenciatura, 59%) ou pós-graduação (mestrado ou doutorado, 12%),enquanto 24% afirmaram frequentar o ensino superior, enquanto que no que respeita ao estado civil, 41% das pessoas que responderam ao questionário do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos e Sociais, são casados, 40% solteiros e11% em uniões de facto, com a província de Luanda (87%) a dominar o local de residência dos entrevistados.

Com efeito, o estudo que refere, do ponto de vista das geografias, que as províncias de Benguela, Lunda Norte, Huambo e Huíla representam 8% da amostra e as outras províncias e a diáspora apenas 5% da amostragem. Neste sentido, foram recebidas respostas com origem em 16 das 18 províncias angolanas, sendo que 79% dos entrevistados residem na área urbana, 18% na periurbana e apenas 3% na zona rural.

O documento salienta que Estado de Emergência que havia sido decretado no país pelo Presidente da República, João Lourenço, que estabelecia restrições de mobilidade e actividades económicas como forma de promover o distanciamento social, destacando-se as medidas com impacto directo sobre as actividades informais, face à extensão desse sector na economia angolana, é enfatizado pelo estudo.

Refere que para compensar a perda de rendimentos associada às medidas e ao contexto de crise, foi acelerada a criação de um Programa de Transferências Monetárias, no âmbito do Programa de Fortalecimento da Proteção Social em Angola, com o plano de beneficiar com 8.500 kwanzas cada uma das 1.608.000 (um milhão e seiscentos e oito mil) famílias identificadas na pesquisa sobre pobreza multidimensional nos municípios, realizada em 2018.

Fará igualmente parte do estudo a revalorização da saúde como variável central da qualidade de vida, potencialmente correlacionada com alguma reformulação de valores e  mentalidades no sentido de uma maior consciência de interdependência e responsabilidade comunitária e de percepções sobre o papel dos actores e das instituições, nomeadamente o do Estado.

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