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Davis Cup Africa: organizar para tornar o ténis uma ‘febre’ em Angola

Victória Maviluka
21/6/2024
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Cedida pela fonte

Federação de Ténis espera que o convívio com jogadores experientes possa traduzir-se num factor de inspiração para os jovens atletas da Selecção Nacional e outros praticantes.

Angola é, desde 17 deste mês, a ‘capital’ do ténis em África. Cerca de 30 jogadores, das principais referências da modalidade no continente, disputam a Davis Cup, na Academia de Ténis Kikuxi Villas Club, a Sul de Luanda. Como País anfitrião, Angola procura que, além de garantir a permanência no Grupo IV da Zona Africana, a realização da concorrida prova crie uma ‘febre’ do ténis em todo o território nacional.

Para ‘atacar’ a competição, a equipa técnica nacional apostou num leque de jogadores jovens, a residirem entre a Europa e a América. O objectivo é claro: preparar uma geração que, dentro dos próximos anos, possa ir atrás de lugares cimeiros nas provas internacionais.

Angola, Argélia, Burundi, Camarões, Quénia, República Democrática do Congo, Rwanda e Senegal compõem as oito selecções que disputam a Davis Cup Africa. As duas primeiras classificadas garantem o acesso à 3.ª Divisão (África Grupo IIl). 

A decisão final está aprazada já para amanhã, 22, no ‘cair do pano’ da competição. Angola, que averbou derrotas nos primeiros jogos da prova, está, desde já, arredada da corrida ao pódio.

Entretanto, Platini Mendes, presidente da Federação Angolana de Ténis (FAT), espera que o convívio com jogadores experientes possa traduzir-se num factor de motivação e inspiração não só para os jovens atletas da Selecção Nacional, como para outros praticantes da modalidade no País.

“O desporto é competição, e, como tal, os nossos actuais e futuros jogadores terão a oportunidade de ver um ténis profissional a ser realizado no nosso País, e isso, naturalmente, dá uma motivação extra a estes jovens talentos”, considera.

Platini destaca o nível competitivo da presente edição da Taça Davis África: “O grupo IV está muito forte, as selecções apresentam um nível competitivo muito elevado. Quase nenhum jogador das selecções, à semelhança da nossa, reside no seu país. Portanto, estão todos na Europa e nos Estados Unidos sobretudo, em que o nível do ténis é muito elevado”.

Platini Mendes, presidente da Federação Angolana de Ténis

Infra-estrutura à altura

O líder da Federação Angolana de Ténis (FAT) sublinha, em entrevista à revista Economia & Mercado, a “boa resposta” dada por Angola à confiança que recebeu da Federação Internacional de Ténis para acolher a Davis Cup Africa.

“Este evento pertence à Federação Internacional de Ténis, que tem regras muito rígidas. Eles confiaram em nós, acabaram por aceitar a nossa candidatura. Em termos organizativos, estamos a responder a todos os requisitos, porque é um evento que nós queremos voltar a candidatar-nos”, adianta.

Platini Mendes reforça que, no capítulo organizativo, “está tudo muito bem preparado para a magnitude” do evento: “Infra-estrutura que são excelentes, a decoração que ficou para o campo central bem dentro das normas, os apanha-bolas, os juízes de linha, os árbitros, a staff, etc”.

Com ‘estrada’ no ‘mundo do ténis’, Platini Mendes gaba-se que a infra-estrutura com que Angola acolhe a Davis Cup Africa “é o melhor espaço de ténis em África”.

“A qualidade do complexo, desde as quadras e todos os serviços agregados, a fisioterapia, ao ginásio, é de ponta, é uma infra-estrutura de muita qualidade”, destaca. 

Mas o presidente da FAT sabe que ‘paredes’ só não vencem jogos, pelo que o seu elenco está apostado na formação de quadros, entre dirigentes, treinadores e outros especialistas da modalidade. 

FAT quer massificar a modalidade em todo o País

Levar os Campeonatos Nacionais para fora de Luanda

A direcção da Federação Angolana de Ténis considera que, nos últimos 10 anos, a modalidade registou um destacável desenvolvimento, mas admite que há a necessidade de dar uma outra dinâmica noutras províncias do País.

“Precisamos de apostar seriamente em programas de massificação, sobretudo em outras províncias onde há ténis, como Benguela, Huíla, Namibe, Lunda-Norte, Huambo e Cabinda”, especifica.

Informa que o que se pretende é levar o programa ‘Play and Stay’, em curso em Luanda, para outras províncias, de forma a impulsionar o desenvolvimento e o crescimento sustentável da modalidade.

“As outras províncias já tiveram, no passado, campeões nacionais, e isso já não se vê. Não será por falta de talento, se calhar é por falta de envolvimento, falta de oportunidades e as oportunidades geram-se com infra-estruturas. Além de infra-estruturas, há, também, uma falta de recursos humanos”, admite.

Platini afirma que os Campeonatos Nacionais “não podem continuar a acontecer só em Luanda”, sendo urgente que estes voltem a ser realizados noutras províncias, como era, aliás, no passado.

“Nós vamos trabalhar fortemente para a expansão geográfica do ténis em Angola”, prometeu o homem que tem à testa o órgão reitor do ténis em Angola.

Ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão

Parceria saudável com as autoridades governamentais

Platini Mendes informa que, ao longo dos anos, a Federação Angolana de Ténis tem desenvolvido “uma relação de confiança” com o Ministério da Juventude e Desportos, assegurando que esta suporta as actividades da FAT.

“O senhor ministro [Rui Falcão] esteve na abertura desta competição, isto é um sinal de que está com a nossa Federação, estará também no sábado, que é dia de decisão. De uma forma geral, temos o apoio considerável do Ministério da Juventude e Desportos e do Governo em geral”, declara.

Avança que, depois da presença de Angola na Davis Cup do Rwanda - em que a Selecção masculina ficou no IV Grupo e a feminina no V Grupo -, e terminado o presente torneio zona africana em Luanda, a FAT prevê já a realização do Campeonato de Júnior, que é o J30, a ter lugar no dia 2 de Julho, na Academia de Ténis do Kikuxi.

“É uma competição que vai reunir os melhores jogadores de júnior do mundo, não é uma competição africana. Já foi realizada o ano passado, faz parte do calendário da Federação Internacional de Ténis”, adianta.

Refere que a instituição que dirige projecta para Agosto próximo o Open Kikuxi, uma prova profissional, mas que não faz parte do calendário da FIT. 

“Aqui há uma curiosidade: nós vamos tentar transformar, a partir de 2025, este Open Kikuxi num Open da ATP, que é a Associação dos Tenistas Profissionais. Vamos tentar transformá-lo num ATP 50. Portanto, virão jogadores profissionais de diferentes Nações”, conclui Platini Mendes.