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De M’banza Congo a Kinshasa

“O crescimento só se verifica se não for impedido pelos que mais têm a perder com ele, normalmente os detentores do poder económico e político que não querem abdicar dos seus privilégios”.

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Fotografia
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Carlos Aguiar

A afirmação é atribuída a Daron Acemoglu, professor titular no MIT, e James Robison, professor titular na Universidade de Harvard, num livro fabuloso intitulado “PORQUE FALHAM AS NAÇÕES”, considerado pelo Financial Times o melhor livro do ano. É de todo recomendada a leitura aos nossos estudantes e políticos.

Num capítulo dedicado ao nosso vizinho Congo (República Democrática do Congo), realça-se o facto de, após o domínio belga, conhecido por um sem número de atrocidades, em 1960, já como estado independente, aquele território ter sofrido, de forma progressiva, um declínio económico acompanhado de uma pobreza crescente das suas populações e de uma notável instabilidade política. Acasalaram-se elites gananciosas, profundamente corruptas e fabulosamente ricas. O país, um dos mais favorecidos em riquezas naturais a nível mundial, vê a sua população votada a uma pobreza criminosa, fruto de uma desequilibrada e injusta partilha da riqueza nacional.

Criaram-se poderes paralelos ao Estado, tal como vimos acontecer no nosso país, sonegando-se a este os tributos financeiros que permitiam gerar empregos, educação, cuidados de saúde e segurança. As instituições extractivas dessas elites, nalguns casos tribalizadas, bloquearam todos os motores de prosperidade.

O Congo não fez, a par de muitos estados africanos, uma evolução positiva desde os tempos em que foi reino, com a sua capital em M´banza Congo. Com um sistema económico assente numa forte indústria esclavagista, dominada pelas elites que governavam o Reino através dos seus exércitos, a riqueza nunca foi distribuída, e as populações foram sempre sujeitas a altos padrões de tributação que permitiam aos detentores do poder reinar a seu belo prazer.

O actual Presidente congolês, Felix Tshisekedi, quer dar sinais de querer inverter o estado de coisas, mas a única garantia credível será uma mudança progressiva das instituições políticas, para que os cidadãos possam usufruir de algum contrapoder político que lhes permita influenciar o seu futuro. Conseguirá? Em Africa, temos muitos Congos e são poucos os exemplos de implantação de estruturas políticas e económicas inclusivas. Em muitos países, aparecem-nos raios de esperança que cedo se apagam com a perpetuação de poderes e criação de instrumentos que os asseguram.

Leia o artigo completo na edição de Julho, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

From M’banza Congo to Kinshasa

“Growth will only occur if it is not impeded by those who have most to lose from it, usually the holders of economic and political power who do not want to give up their privileges,” Daron Acemoglu, a professor at MIT, and James Robison, a professor at Harvard University, wrote in a fabulous book entitled "WHY NATIONS FAIL". Considered the best book of the year by the Financial Times, it is a highly recommended read for our students and politicians.

In a chapter dedicated to our neighbor, the Democratic Republic of Congo (DRC), it highlights the fact that since 1960, when it became independent from Belgian rule, known for a number of atrocities, DRC has progressively suffered economic decline, growing poverty and significant political instability. Greedy, deeply corrupt and extremely wealthy elites mated. While it is one of the most favored countries in the world in terms of natural wealth, DRC´s population lives in dire poverty, as a result of an unbalanced and unfair distribution of national wealth. Parallel powers to the State have been created, just like we have seen happen in our country, which withhold from the State the financial taxes that would make it possible to create jobs, education, health care, and security. The extractive institutions of these elites, in some cases tribalized, blocked all the engines of prosperity.

Like many African states, Congo has not positively evolved since the days when it was a kingdom and its capital was M'banza Congo. With an economic system based on a strong slave industry, dominated by the elites who ruled the kingdom through their armies, wealth was never distributed, and the people were always subject to high taxation standards that allowed those in power to rule at their pleasure.

The current Congolese President, Mr. Felix Tshisekedi, wants to show signs of reversing this state of affairs, but the only credible guarantee will be a progressive change in political institutions, so that citizens can enjoy some political countervailing power to influence their future. Will he succeed? In Africa, we have many Congos and few examples of implementation of inclusive political and economic structures. In many countries, we see rays of hope that are soon extinguished by the perpetuation of power and the creation of instruments to support it.

Read the full article in the July issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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