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Dois anos de uma reforma ainda por fazer

Dois anos depois de assumir a Presidência da República, João Lourenço dá sinais de compromisso com algumas das suas promessas. No entanto, já está numa corrida contra o tempo em direcção à 2022.

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Adão Gil
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Adão Gil

Ao deixar claro que pretendia ficar na História pelo papel na recuperação económica do país através de uma reforma ao estilo do dirigente chinês Deng Xiaoping, João Lourenço assume medidas impopulares, como um alegado combate à corrupção, a privatização de empresas públicas deficitárias, a abertura económica e a sujeição ao escrutínio das instituições internacionais. Enquanto se esgota o tempo, os descontentamentos crescem, as contradições avolumam-se e uma crise social vê-se no horizonte.

Mas o país já vinha de uma situação difícil resultante da crise cambial e da baixa produção petrolífera, levando a que, depois das quedas de 2,6% em 2016 e 2,1% em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) recuasse, em 2018, 1,7%, devido, sobretudo, ao desempenho negativo do sector petrolífero. Estes dados, publicados em Abril pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), confirmam as projecções do Fundo Monetário Internacional (FMI), no relatório do corpo técnico elaborado no âmbito do programa de financiamento ampliado, onde previa a terceira recessão da economia nacional. Apesar das medidas implementadas em quase dois anos à frente do Governo, João Lourenço ainda está longe de tirar a economia angolana do sufoco em que se encontra.

Com efeito, como bom jogador de xadrez, logo no início do seu mandato inaugurou uma mudança inevitável que amortece os efeitos de inúmeras medidas impopulares: a ligeira abertura economia à comunicação social e uma Presidência que, de quando em vez, se submete ao escrutínio da imprensa por entrevista.  É por essa via que o agrónomo Fernando Pacheco crítico duro da liderança de José Eduardo dos Santos e antigo dirigente do MPLA, prefere contrapor os críticos que sustentam que, em dois anos, nada mudou.

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