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“É necessário um desenvolvimento integrado”

É necessário existir um desenvolvimento integrado, criando equilíbrio entre o fluxo populacional e a capacidade das infra-estruturas, defendeu, recentemente, o demógrafo João Nzatuzola.

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Fotografia
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Carlos Aguiar

Natural da província do Uíge, João Baptista Lukombo Nzatuzola é Bacharel em Gestão e licenciado em Sociologia, entre 1970 e 1976, na RDC, tem uma pós-graduação em Estudos de Desenvolvimento, na Universidade de Genebra, Suíça (1984 – 1986) e um mestrado em Demografia e Dinâmica das Populações, da Universidade de Paris - Sorbonne, França (2000 a 2001).

Enquanto demógrafo e sociólogo, que leitura faz do crescimento demográfico em Luanda, assim como do necessário acompanhamento dos serviços sociais básicos?

Devia ser criado um equilíbrio entre a extensão urbana da cidade de Luanda e a tendência cada vez mais crescente do processo migratório. Em Luanda, além de pessoas oriundas de outros países, assiste-se igualmente à entrada de cidadãos vindos de outras províncias do país, principalmente a partir do ano 2002, considerando o facto de haver na capital maiores oportunidades de emprego, alimentação ou de “desenrascar da vida”. Neste sentido, é necessário aumentar consideravelmente os níveis de investimento no interior do país, de modo a criar atractividade local e diminuir a densidade populacional em Luanda que, infelizmente, vai à frente dos serviços sociais mínimos.

Um dos factores que determina o êxodo rural são as questões sociais e económicas. Considerando a perspectiva de cumprimento do Plano Director Geral de Luanda até 2030, com a reestruturação da rede viária e a melhoria da urbanidade local, não se corre o risco de aumentarem as assimetrias regionais e com isso os níveis imigratórios?

Desde que se crie um projecto integrado também para as províncias, não acredito que isso venha a acontecer. De maneira específica, exemplifico a criação da Aldeia Camela Amões, localizada no município do Cachiungo, na província do Huambo. Este projecto alberga casas, estruturas de apoio social, estradas e energia eléctrica solar para as pessoas daquela região. Se cada homem de negócios pensasse numa coisa assim, estancar-se-ia a saída de pessoas do interior para Luanda. Cada angolano, no local onde vive, tendo acesso a água potável, energia eléctrica, saneamento básico, Internet, escola para os filhos e serviços de saúde de qualidade, não sente a necessidade de abandonar a sua habitação. A Aldeia Camela Amões é igualmente importante por ser um projecto integrado, com as componentes agrícola, turística e deformação.

Até que ponto a estrutura administrativa de Luanda pode usar o exemplo da Aldeia Camela Amões com o objectivo de ver melhorada a questão do ordenamento da província e a respectiva mobilidade no centro e arredores da cidade?

É necessário existir um desenvolvimento integrado, criando equilíbrio entre o fluxo populacional e a capacidade das infra-estruturas de atender as necessidades destas pessoas. É necessário facilitar o acesso das crianças às escolas, melhorar os serviços de transportes públicos a todos os níveis. Os catamarãs, hoje, já não funcionam, os vestígios de ramais são aqueles deixados pelo colono, não existem outros até hoje. Se se criarem novos, talvez seja por causa do novo aeroporto. Hoje, não existe qualquer integração entre autocarros, barcos e comboios. Luanda tem condições naturais para o desenvolvimento integral de transportes, mas, na prática, não funciona. Se estes serviços funcionassem, a vida das populações estaria mais facilitada, sem terem de pagar o preço altíssimo de estarem presas durante horas no trânsito, uma situação com influências negativas do foro psicológico e material.

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