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Em 2020, malária já matou mais de 670 pessoas em três províncias

Em 2018, Angola registou mais de 3.360 mortes, de um total de mais de 2,5 milhões de casos diagnosticados. Malange, Huíla e Bengo já registaram 370.492 casos em três meses.

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Em Setembro de 2018, por altura da sua eleição para presidente do MPLA, partido que governa Angola desde a Independência Nacional proclamada em 1975, o Presidente da República, João Lourenço, apontou como “inimigo público número um” a corrupção, o nepotismo, a bajulação e a impunidade que se implantaram no país nos últimos anos. Ainda está por se calcular os impactos económicos e sociais desses “males” no país, mas há um outro inimigo que não deixa de fazer milhares de vítimas mortais: o paludismo.

De acordo com dados oficiais, em 2018, o país registou mais de 3.360 mortes, de um total de mais de 2,5 milhões de casos diagnosticados. Actualmente, a doença continua a ser a principal causa de mortes em Angola, embora, recentemente, e sem avançar dados, a ministra da Saúde tenha afirmado que o país registou “índices de decréscimo históricos”, comparados com os últimos três anos, em função do reforço da aposta no sector, nomeadamente através do aumento da capacidade de diagnóstico, de fármacos e de recursos humanos.

Entretanto, as estatísticas da doença no país continuam a alarmantes. Só no primeiro trimestre de 2020, de acordo com cálculos da Economia & Mercado, foram registadas 678 mortes em três províncias, sendo a Huíla a mais afectada, com um total de 461 óbitos resultantes de 101.224 casos diagnosticados de Janeiro a Março.

De acordo com a Angop, na província da Huíla os dados revelam um aumento de 32.546 casos comparativamente ao igual período de 2019, tendo como epicentros os municípios da Matala, Quilengues e Lubango. Já em Malange, a mais afectada no conjunto das três províncias analisadas pela E&M, apresentou 139 mortes no primeiro trimestre de 2020, de um total de 203.600 novos casos da doença. Comparativamente a 2019, o número de óbitos representa um aumento de 20 casos.

A informação foi passada pelo supervisor provincial do Programa de Luta Contra a Malária, Luís Demba, por ocasião do Dia Internacional de Luta Contra a Malária, assinalado a 25 de Abril.

De acordo com responsável, os primeiros três meses de 2020, a província registou mais 79.749 em relação ao período homólogo de 2019. Do total de casos diagnosticados, as crianças menores de cinco anos foram as mais afectadas, com 79. 209 casos notificados e 65 mortes, vindo a seguir as crianças dos seis aos 14 anos de idade, com um registo de 68.676 casos e 27 óbitos.

Entre os adultos, foram diagnosticados 63.705 novos casos e 47 óbitos.

Malanje, Cacuso, Calandula, Cangandala, Luquembo e Mucari figuram dos municípios com mais casos registados no primeiro trimestre, estando na base disso o débil saneamento básico e o não uso de mosquiteiro.

Relativamente à província do Bengo, houve um aumento de 5.668 casos em comparação ao período homólogo de 2019 e os municípios de Dande com 18 mil casos e Nambuangongo com 16 mil são os registaram maior ocorrências da malária.

Recentemente, o Papa  apelou aos governos que não se se esqueça a luta contra a malária, que "ameaça milhares de milhões em numerosos países", por causa do combate à pandemia da Covid-19.

"Enquanto combatemos a pandemia do novo coronavírus, devemos levar por diante o compromisso de prevenir e tratar a malária que ameaça milhares de milhões de pessoas em numerosos países".

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