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Especialistas temem que Covid-19 possa atrasar combate à tuberculose

Angola tem uma alta incidência da tuberculose, sendo que regista entre 60 mil a 70 mil novos casos anualmente, sem contar os casos não reportados por falta de acesso aos serviços de saúde.

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A luta contra a tuberculose pode ser adiada por mais de cinco anos devido à pandemia de coronavírus, arriscando 1,4 milhão de mortes adicionais por tuberculose e 6,3 milhões de infecções até 2025, segundo o relatório da Stop TB Partnership.

O organismo internacional com sede em Genebra, que lidera a luta global contra as doenças respiratórias que infectam mais de 10 milhões de pessoas anualmente revelou dados de três países com alta prevalência de tuberculose, nomeadamente Quénia, Índia e Ucrânia.

O estudo diz que os confinamentos obrigatórios devido ao novo coronavírus afectam as pessoas pobres que não podem praticar o distanciamento social nas suas próprias casas, o que significa maior risco de transmissão da TB, enquanto as proibições de deslocações interrompem o tratamento da doença.

A transformação dos hospitais e serviços de TB para testes e tratamento da Covid-19 também está a ser apontada como um factor de atraso na luta contra a tuberculose.

Em casos extremos em que o confinamento dura até três meses, o estudo estima que pode levar até 10 meses para restaurar os serviços de TB aos níveis normais.

Angola notificou, só no primeiro trimestre do ano passado, 13.792 novos casos de tuberculose, doença que, em 2018, causou 1.477 óbitos de um total de 70.362 casos notificados.

Segundo dados do Programa Nacional de Combate à Tuberculose, citados pela Lusa, em 2018, as crianças menores de 15 anos representaram 13% do total de notificações, ou seja, 8.331 casos, sendo a tuberculose pulmonar a que lidera a lista de casos.

Angola tem uma alta incidência da tuberculose, sendo que regista entre 60 mil a 70 mil novos casos anualmente, sem contar os casos não reportados por falta de acesso aos serviços de saúde, segundo a OMS, que no ano passado doou 11.505 doses de tratamento de primeira.

O país está entre os 30 países prioritários para o controlo da Tuberculose, conforme definição da OMS, em função da existência de três principais factores de risco: casos de tuberculose associados ao VIH-SIDA; tuberculose resistente a múltiplos medicamentos; e a co-infecção tuberculose - VIH.

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