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“Estamos mais preocupados com os benefícios de longo prazo”

Ana Paulo Zengo, economista, está actualmente no Instituto de Gestão de Activos e Participações de Activos (IGAPE), como chefe do departamento de privatizações e restruturações das empresas públicas.

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José Zangui
Fotografia
:
Carlos Aguiar
José Zangui

Na sua opinião, as anteriores privatizações não terão acontecido no melhor momento político e económico. “Agora não vamos repetir os erros, essa é a expectativa, fazer melhor e diferente, aprendendo também com outras experiências, mas adaptando à nossa realidade”, garantiu.

Qual é o quadro actual do processo de privatizações das empresas públicas?

Há uma série de acções em curso, mormente a comunicação e a informação aos potenciais interessados, com a realização de seminários metodológicos. Vendemos as primeiras cinco empresas da Zona Económica Especial (ZEE) Luanda/Bengo, das sete que estavam programadas. Arrecadámos 16 milhões de dólares dos 30 milhões de dólares que esperávamos.

Este é o balanço inicial, sendo que, ainda na ZEE, vamos lançar a segunda fase, em que serão vendidas 25 unidades.

Das sete unidades da ZEE apenas cinco foram vendidas. O que se passou com as outras duas?


Foi o comportamento do mercado. Lançámos sete, mas houve interesse em apenas cinco. Importa referir que temos preços de referência e de reserva abaixo dos quais não podemos vender. Para o caso das duas empresas que não foram vendias, a oferta apresentada estava abaixo do preço de reserva. Actualmente, corre também o processo de privatização dos empreendimentos agro-pecuários e agro-industriais. São quatro fazendas e 17 projectos agro-industriais. Destes temos alguns concorrentes e 12 propostas. Ou seja, alguns concorrentes apresentaram ofertas para mais do que um projecto.

Neste processo, o Estado espera arrecadar 169 milhões de dólares. Em resumo, temos estudos e expectativas, mas temos de fornecer os dados, passo a passo, à medida que as empresas vão sendo avaliadas. Há grupos técnicos a trabalhar.

As empresas da ZEE foram alienadas abaixo de 50% do valor investido. Receia que seja nesse ritmo que o processo caminhe?

Os encaixes de tesouraria são importantes. Porém, estamos mais preocupados com os benefícios económicos de longo prazo e sustentáveis. Deixe-me que lhe diga também que muitas destas empresas não estavam em funcionamento. Portanto, o interesse é colocá-las a funcionar, gerar empregos e o Estado cobrar impostos.

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