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Europa: Africanos ‘torraram’ mais de 60 milhões USD em pedidos rejeitados de Visto Schengen

Victória Maviluka
11/6/2024
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Foto:
DR

Argélia, Marrocos, Egipto, Nigéria e Tunísia estão no topo dos países cujos cidadãos se destacaram pelos montantes gastos com pedidos de visto rejeitados.

Cidadãos africanos gastaram 56,3 milhões de euros (cerca de 60,4 milhões de dólares) em pedidos de Visto Schengen, que não foram aceites, entretanto, pelas autoridades europeias.

O marroquino Le360 Afrique, que avança com a notícia na sua edição desta terça-feira, 11, descreve o montante como “remessas reversas de países pobres ou em desenvolvimento para países ricos”.

Refere que a “colossal soma” de 56,3 milhões de euros em taxas de candidatura rejeitadas representa 43,1% do total das despesas necessárias para todos os procedimentos realizados para a obtenção de Visto Schengen.

Marta Foresti, fundadora do LAGO Collective, referiu, em declarações ao portal, que a desigualdade de vistos “tem consequências e os mais pobres do mundo estão a pagar o preço”. 

Acrescenta que os custos dos vistos rejeitados podem ser considerados como “remessas reversas”, sendo, por isso, “dinheiro fluindo dos países pobres ou em desenvolvimento para os países ricos”.

O Le360 realça que, no coração de África, cinco países destacam-se pelos elevados montantes gastos devido à rejeição de pedidos de visto dos seus cidadãos nacionais para a União Europeia em 2023.

Argélia, Marrocos, Egipto, Nigéria e Tunísia estão no topo desta classificação, levantando questões que deixam subjacentes assuntos migratórios, económicos e diplomáticos.

Com 13,3 milhões de euros gastos pelos seus cidadãos com pedido de Visto Schengen, a Argélia ocupa o 1.º lugar nesta lista de ‘rejeitados’, quadro que atesta a dimensão dos desafios enfrentados pelos argelinos que desejam chegar à Europa por motivos profissionais, familiares ou educativos.

Marrocos segue de perto com quase 11 milhões de euros gastos anualmente, seguindo-se o Egipto, com 3,75 milhões de euros, a Nigéria (3,44 milhões) e a Tunísia (3,11 milhões).

No total, sublinha a mídia marroquina, os cinco países representam mais de 35 milhões de euros, quase dois terços dos 56 milhões de euros arrecadados pela União Europeia com rejeições de vistos a africanos no ano passado.

Esta situação realça os desafios económicos que muitos países africanos enfrentam. Com salários médios frequentemente baixos, o custo de 80 euros por pedido de visto representa uma parte substancial do rendimento familiar, considera o Le360, que realça que, para a Argélia, por exemplo, este valor equivale a quase um terço do salário médio mensal.

O portal destaca o facto de, a partir de hoje, terça-feira, 11 de Junho, as taxas de pedido de Visto Schengen aumentarem de 80 para 90 euros, “agravando, ainda mais, os encargos financeiros para os requerentes africanos”.

Visto para estadia curta

O Visto Schengen é concedido a pessoas provenientes daquilo a que a União Europeia chama como "país terceiro", ou seja, as pessoas que não são cidadãos da UE ou do espaço Schengen.

O visto aplica-se a quem viaja para uma estadia curta, ou seja, visitas, férias ou viagens de negócios com uma duração total máxima de 90 dias num período de 180 dias num ano.

Os países do espaço Schengen incluem os Estados-Membros da UE, excepto a Irlanda e Chipre, bem como a Roménia e a Bulgária, no que se refere às fronteiras terrestres. 

Embora não sejam membros da União Europeia, a Noruega, a Islândia, o Liechtenstein e a Suíça também fazem parte da Convenção de Schengen.