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Falta de condições força evacuação de doentes com Covid-19 do Kwanza Norte para Luanda

A falta de condições forçou a evacuação urgente dos três doentes infectados pela Covid-19 das unidades de saúde do Kwanza Norte para hospitais de referência em Luanda.

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A província do Kwanza Norte conta com 549 técnicos de saúde para atender um total de 10 municípios, além de um hospital de campanha com algum equipamento, mas que ainda carece apetrechamento, segundo a directora provincial de Saúde, Filomena Wilson, em entrevista à Economia & Mercado (E&M). Dadas as insuficiências, o Ministério da Saúde achou por bem, até complementar o que falta, evacuar os três doentes que testaram positivo a Covid-19 para Luanda, nos centros que oferecem melhores condições de assistência.

Os casos positivos tratam-se de três cidadãos, sendo um angolano – cujo estado de saúde carece de cuidados - e dois oeste-africanos, que habitualmente residem em Luanda. Os três pacientes, de acordo com Filomena Wilson, não passaram pelos controlos da Polícia, “pularam a cerca como acontece com muitos casos, outros apresentam passes falsos para furaram a cerca Luanda/ Kwanza Norte e vice-versa”.

A responsável disse também que os três casos tiveram contaminação na província de Luanda, durante o mês de Março, sem nunca sequer terem procurado uma unidade sanitária.

As autoridades sanitárias reconhecem que é necessário redobrar as medidas para conter a propagação da doença em Angola, embora as acções actuais mereçam o reconhecimento da Organização Nacional da Saúde (OMS).

Recentemente, a titular da pasta da Saúde, Sílvia Lutucuta, admitiu haver pessoas a violarem o cordão sanitário da província de Luanda, tendo na altura advertido que tal atitude podia contribuir para a propagação da doença às famílias dos infractores e, consequentemente, pela comunidade. “As pessoas estão a usar outros caminhos, recorrendo a canoas na orla marítima. Devem ter consciência que não devem sair, porque põem em risco a vida das suas famílias”, alertara a porta-voz da Comissão Interministerial de Combate a Covid-19.

No entanto, alguns fazedores de opinião atiravam a responsabilidade das referidas violações, sobretudo à cerca sanitária da província de Luanda, às autoridades de defesa e segurança, opinião refutada também pela ministra da Saúde. Sobre o assunto, na altura, a governante sublinhara que no de isolamento social as pessoas violam as fronteiras conscientemente.

Para o caso específico que marca a entrada da província do Cuanza Norte no "roteiro" das infecções pela Covid-19, é factual salientar que a violação da cerca sanitária envolve alguns agentes da Polícia, que facilitam a travessia de motoqueiros e automobilistas à troco de 1500 kwanzas, de acordo com constatação feita pela E&M.

A província de Luanda continua, por decreto sobre a Situação de Calamidade Pública, isolada das restantes 17, porém, a cerca sanitária, nalguns casos, é violada com a conivência dos agentes da ordem e segurança.

A realidade de Kwanza-Norte assemelha-se à da província do Bengo. Em breve, a revista Economia & Mercado, numa reportagem, apresentará os meandros de como muitos cidadãos conseguem furar as cercas sanitárias.

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