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Foco no futuro , Acção no Agora

Camila Leite
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Foto:
DR

É preciso olhar para o futuro e analisar probabilidades, visualizar cenários dos mais diversos possíveis, formatar opiniões baseadas em factos, criar ideias e perceber quais os possíveis impactos...

Desde os tempos mais remotos, o homem é desafiado a reinventar-se diante de um mercado em constante transformação. Novas formas de trabalhar, de transformar os movimentos para adaptar-se às mudanças constantes.

Lembrar dos tempos da Revolução Industrial – em que as pessoas andavam a cavalos e carruagens – é recordar quando diagnosticaram uma “dor” da sociedade: a poluição que os cavalos - assim como o mau cheiro - deixavam nas ruas. Os proprietários dos cavalos pensaram em uma solução: “Temos que criar fraldas para cavalos”.

Simultaneamente, Henry Ford percebeu a mesma dor e pensou: “Temos que criar um meio de locomoção diferente e acessível”.  Foi quando, em 1908, lançou o Ford Model T, um modelo automobilístico inovador e a custo baixo para a época. Logo os carros substituíram as carruagens. “Se tivesse feito o que meus clientes pediam teria construído uma carruagem com mais cavalos ao invés do modelo T”, disse Henry Ford na altura.

Passam-se décadas e nunca foi diferente, produtos e serviços são substituídos, assim como profissões são extintas. É estar disposto a pensar além do que os problemas podem apresentar. Não é que no futuro não haverá trabalho. O que não haverá é espaço para pessoas ou negócios sem qualificação.

É materializar o que pode parecer uma “loucura” para muitos, mas que possui grandes chances de tornar-se um diferencial e que resolve algum problema na vida das pessoas. Assim foi com os carros, com a energia elétrica, com as máquinas de escrever, com o telefone, computadores e tantos outros produtos que desenham a linha do tempo industrial. A reaprendizagem exige o “pensar bold” (pensar arrojado, o tão conhecido pensar fora da caixa) como factores decisórios para que permaneçamos vivos num mercado em constante transformação.

Nesta nova era não é diferente. Somos desafiados - como profissionais ou empresas - a aprender e reaprender com muito mais velocidade e constância. É preciso olhar para o futuro e analisar probabilidades, visualizar cenários dos mais diversos possíveis, formatar opiniões baseadas em factos, criar ideias e perceber quais os possíveis impactos que estas podem repercutir nas nossas profissões ou negócios. Por vezes - feita esta reflexão estratégica – podemos deparar-nos com a necessidade de “matar” o negócio actual e começar a construir novas estratégias, para além de novas habilidades profissionais para continuarmos a existir.

Somos desafiados - como profissionais ou empresas - a aprender e reaprender com muito mais velocidade e constância.

São tempos de quebrar paradigmas e estar aberto a novos olhares estratégicos. As empresas de sucesso, como Amazon, Netflix, Tesla – que já foram pequenas e hoje são umas das marcas mundiais mais valiosas – estão abertas a modelos de negócios que pensam bold. E pensar bold é correr riscos, testar novas formas de fazer. É dar espaço para a equipa dar ideias, é exercitar a escuta activa interna e com todos os stakeholders, a adopção de uma nova cultura corporativa, a uma liderança com valores novos e diferenciados, a novos pensamentos estratégicos.

Como profissionais, se projectarmos até 2030 ao menos, novas skills como originalidade, criatividade, pensamento crítico, agilidade para resolução de problemas complexos, são umas das poucas e principais habilidades que serão compulsórias.

São tempos de perguntas, dos “E se?”, “E daí”, “Por que não?”. Perguntas abertas que estimulam a criatividade, o olhar além do que podemos ver agora. Este era um hábito do memorável Steve Jobs que - segundo o seu mentor por 25 anos - Regis McKenna, não acreditava no futuro. Não que fosse um pessimista, mas sim porque ele testava ideias no presente, o que formatava continuamente o futuro que só saberia se desse certo se realmente arriscasse. Não é à toa o legado que deixou em todas estas décadas.

Insisto continuamente a falar que as reinvenções precisam ocorrer de fora para dentro. Observar o que há externamente que afecta directamente performances, planos profissionais ou que afecta a sustentabilidade de um negócio. O que as tendências do mercado ou projecções de ideias podem impactar directamente e colaborar com novos olhares estratégicos.

É preciso permitir-se a reaprender, a entender que atravessamos um novo momento e que fazer do mesmo jeito de antes já não cabe mais. É decidir se quer criar fraldas de cavalos ou criar modelos T´s. Se quer matar o seu negócio ou o seu valor como profissional ou se pretende olhar através de novas perspectivas. Tudo é uma questão de escolha.