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Fomento do café em Angola condicionado pela Lei de Terras

O presidente da Associação Nacional do Café, Cacau e Palmar de Angola disse, esta semana, que “existe uma incógnita” quanto ao aumento da produção, por causa da legalização de terras.

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Cláudio Gomes
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Cláudio Gomes

Além deste empecilho, João Ferreira apontou também a produção de viveiros como uma das “principais barreiras” do aumento do cultivo da cultura de café.

“É uma gota no oceano em relação ao que o país deve e pode produzir”, lamentou João Ferreira, apontando, na sequência, igualmente a legalização de terras para os operadores como “um problema muito sério”.

Para o líder associativo, citado pela agência portuguesa de notícias Lusa, há “questões desencontradas” entre a pretensão do Ministério da Economia e Planeamento em criar condições para legalizar as terras dos produtores a nível local e a “lentidão dos governos provinciais” nos processos.

Infelizmente, há essa lentidão da parte dos governos provinciais, temos vários exemplos pelo país e este é um dos maiores problemas

O dirigente criticou as taxas de produção elevadas, "porque há muitas fazendas abandonadas”. Um quilograma de café comercial em Angola custa 350 kwanzas, segundo o responsável.

O líder associativo considerou que o principal ponto dos operadores do ramo é o “fomento da produção do café que passa obrigatoriamente pela reorganização do sector cafeícola e concretamente a produção de viveiros”.

Se não pudermos produzir mudas ou viveiros não podemos falar em produção do café, por isso é que ainda hoje estamos a dar passos muito lentos por causa disso, portanto não há uma definição concreta de que é necessário produzir

João Ferreira, que falava hoje no final da conferência de imprensa de apresentação do II Congresso da Produção e do Sector Privado, defendeu também a “reestruturação do Instituto do Café de Angola (ICA) que está completamente inoperante”.

Segundo o também empresário, o ICA “tem muitas dificuldades de quadros, há 10 anos que não renova os seus quadros, falo isso porque sou quadro do café desde 1966 e tenho alguma propriedade para falar sobre isso”.

Angola, que já foi o terceiro maior produtor mundial do café e que já produziu 240 mil toneladas de café/ano, exporta actualmente em média cerca de 1.100 toneladas de café/ano.

O II Congresso da Produção e do Sector Privado, agendado entre 04 e 06 de novembro próximo, em Luanda, é uma promoção da Confederação Empresarial de Angola (CEA) à qual a Associação Nacional do Café, Cacau e Palmar de Angola é afiliada.

O certame prevê também, como atividades complementares e preparatórias, um “Encontro Nacional dos Cafeicultores de Angola”.

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