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Género, violência e economia

Por ocasião do dia internacional da mulher, celebrado a 8 de Março, vários são os discursos que nos recordam questões como a violência de género, que tem ceifado milhares de vidas pelo mundo afora.

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Fotografia
:
Carlos Aguiar

Em Angola, os dados referentes a 2019 revelam que, só no primeiro semestre, 3.703 casos de violência foram registados pelas autoridades. No entanto, entre 2017 e 2018, cerca de 40 mulheres morreram, vítimas de violência doméstica. No total, o país registou 1.743 casos, ficando Luanda no topo das estatísticas com mais de 50% das ocorrências. Seguiram-se as províncias de Benguela (126), Huíla (101), Malanje (89), Huambo (86), Kwanza-Sul (85) e Cabinda (75), de acordo com dados da Direcção de Combate aos Crimes Contra Pessoas, afecta ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), noticiados em 2019 pelo “Novo Jornal”.

Aparentemente, a violência contra mulheres – e a discriminação de género de uma forma mais abrangente – não é um problema que nos assuste tanto. Ou, pelo menos, ao nível dos meios de comunicação não tem merecido o devido respaldo.

Por exemplo, reagindo ao pânico que se criou à volta do novo coronavírus, uma internauta brasileira lembrou que, no seu país, a violência contra a mulher é responsável por mais de quatro mil mortes. Segundo o site “Gazeta do Povo”, em 2017, o Brasil registou o assassinato de 4,9 mil mulheres, o maior número desde 2007. Feitos os cálculos de outra forma, percebe-se que cerca de 13 mulheres foram assassinadas por dia ao longo daquele ano por razões ligadas ao género, representando um aumento de 30,7% nos últimos 10 anos e de 6,3% em relação a 2016. Estes números não causam pânico. Contrariamente, o coronavírus, lembrou a internauta brasileira, já mobilizou as principais instituições internacionais, e os países, em particular a China, não estão poupar esforços nem dinheiro para combater a epidemia.

Esta comparação corre o risco de ser descabida, mas não deixei de lhe atribuir alguma razão, principalmente por nos chamar a atenção para uma epidemia social nada silenciosa e que tem um elevado custo económico, como é o feminicídio – “a matança de mulheres por homens, porque elas são mulheres”, segundo a autora sul-africana Diana E. H. Russell, uma das primeiras a usar o termo. Ou seja, considerando o indispensável papel das mulheres na família, e o peso que o mesmo representa para as economias – embora não seja devidamente calculado ou reconhecido –, a violência de género é também um inegável empecilho ao crescimento económico.

Leia mais na edição de Março de 2020

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