1

Grandes Moagens de Angola registam quebra na produção de farinha de trigo

A produção de trigo na unidade fabril do consórcio Grandes Moagens de Angola (GMA) reduziu de 280 mil para 250 mil toneladas, entre Janeiro e Outubro deste ano.

1
2
Redacção
Fotografia
:
DR
Redacção

A produção de trigo na unidade fabril do consórcio Grandes Moagens de Angola (GMA) reduziu de 280 mil para 250 mil toneladas, entre Janeiro e Outubro deste ano, devido, entre outros factores, à dificuldade de acesso às divisas e à concorrência desleal.

De acordo com a Angop, a concorrência desleal, praticada por panificadores e grupos de comerciantes que importam farinha, em muitos casos de baixa qualidade, e revendem a preços inferiores aos da GMA, retraíram o aumento da sua capacidade produtiva.

Os panificadores e grossistas, que actuam no mercado da farinha de trigo, segundo o administrador da GMA, César Rasgado, quando têm divisas preferem importar a comprar localmente.

Nesse sentido, argumentou o responsável, é difícil combater a concorrência desleal,tendo em conta os interesses à volta, daí que defende o Estado angolano proteja a indústria local, para evitar-se tais constrangimentos.

Entretanto, associada à concorrência desleal, estão as dificuldades para obter-se divisas e adquirir a matéria-prima (trigo a granel e aditivos), importada de países como França, Alemanha, Canadá, EUA, Cazaquistão e Austrália.

Em 2014 e 2015, Angola consumiu 570 milhões de dólares norte-americanos na importação de farinha de trigo. Entretanto, estima-se que até 2020, o consumo de farinha de trigo em Angola venha a ser, em média, de 730 mil toneladas/ano.

O Consórcio Grandes Moagens de Angola foi aprovado em 2015 pelo Conselho de Ministros e inaugurado a 26 de Maio de 2017. Com uma capacidade instalada de até 300 mil toneladas de farinha de trigo/ano, a fábrica da MGA pode processar 1200 toneladas de trigo a granel/dia. As instalações da GMA, no recinto do Porto de Luanda, ocupam uma área total de, aproximadamente, 30.000 m2, divididos por um edifício industrial,dois armazéns de produtos finais, uma área de armazenamento de matérias-primas(silos) para 45 dias de produção.

Para o economista Hernany Luís, também em entrevista à Angop, Angola deve apostar em pequenas moagens de trigo, distribuídas em diferentes províncias, o que permitirá atender a demanda e evitar a constante subida do preço do saco da farinha de trigo que"disparou" em menos de um mês, no mercado nacional, ao passar de 5800 kwanzas para AKz 10 800, uma subida de 100%.

Segundo o especialista, apesar do preço do saco de farinha ter registado nesta segunda-feira uma redução de 1000 AKZ, nos revendedores do Entreposto Aduaneiro, a solução passa pela criação das pequenas moagens para fomentar a produção local e reduzir as importações.

“O pão, que anteriormente custava 10 a 15 kwanzas, está acima de 30 kwanzas,tornando a vida das famílias difícil, particularmente daquelas que auferem abaixo ou igual ao salário mínimo, 24.754,95 kwanzas. E, adicionalmente, estão a ser fortemente afectadas com a persistente inflação acumulada que ronda em 20%,reduzindo cada vez mais o poder de compra que a muito vai tornando-se cada vez mais precário”, analisou Hernany Luís.

7