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Importação de arroz aumentou mais 240 milhões de dólares entre 2017 a 2021

Cláudio Gomes
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Foto:
DR

O arroz é um dos alimentos mais consumidos no mundo. Em Angola, a importação do cereal saiu de 37 420 toneladas em 2017, para 488 722 toneladas, em 2021, somando 263 462 000 de dólares em 2021.

Dados avançados esta semana pelo secretário de Estado para a Economia, indicam que houve um aumento “não satisfatório” da produção do arroz em 12%, entre 2017 e 2021.

Segundo Ivan dos Santos, apesar de “ser uma boa notícia”, o aumento de 12% “não satisfaz” as necessidades reais do país, porque a importação no mesmo período revelou um grau de dependência significativo nas importações. Ou seja, os dados indicam que em termos financeiros, a importação do cereal saiu de 23 milhões e 438 mil dólares, em 2017, para 263 462 000 de dólares em 2021, havendo uma taxa de crescimento média anual de 90%. No período de 2020 a 2021, porém, a taxa foi de -9%.

Para fomentar a produção interna, em particular a produção de grãos, onde consta o arroz, o Executivo disponibilizará 2 852 mil milhões de Kwanzas oriundos de investimentos públicos e privados durante o período 2023-2027, através do Plano Nacional de Fomento da Produção de Grãos (PLANAGRÃO).

As verbas serão aplicadas em duas componentes fundamentais, sendo a primeira avaliada em mais de 1 178 mil milhões de Kwanzas, que visam proporcionar infra-estruturas, fundamentalmente a delimitação das áreas de produção e consequente loteamento, assim como vias de acesso às mesmas asseguradas pelo Estado.

A segunda componente, no entanto, refere-se ao financiamento do sector privado nacional para produção dos grãos referenciados, com mais de 1 674 mil milhões kwanzas disponíveis, reforçando o capital disponível junto do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) e do Fundo Activo de Capital de Risco de Angola (FACRA).

De acordo com o secretário de Estado, com o objectivo de ver a economia cada vez mais vibrante, o Executivo disponibilizará por meio da implementação acelerada do Programa, mecanismos que permitem que a procura seja maioritariamente satisfeita com produção interna, fornecer orientação estratégica, superar os impactos das crises em andamento e construir resiliência contra choques futuros e sobretudo a segurança alimentar.

Custo de produção

Para inverter a tendência negativa e excessiva na importação do arroz, precisa-se melhorar e facilitar o acesso ao conhecimento científico, as infra-estruturas, aos factores de produção e a segurança jurídica aos produtores nacionais.

Ao dissertar no Fórum AAPARROZ, realizado esta semana, em Luanda, pela Associação Agro-pecuária de Angola (AAPA), o consultor da Agropromotora, Hélder Santiago disse que o país se debate ainda com vários handcap’s que condicionam a pujança dos produtores da cultura do arroz.

De acordo com o especialista, a oferta de sementes para a agro-ecologia em Angola é ainda limitada, os aproveitamentos hidro-agrícolas com vocação arrozeira são escassos, a presença limitada de operadores independentes no processamento pós-colheita (secagem e armazenamento), além do baixo poder de compra e ausência de fidelização a um padrão de produto.

Segundo o consultor, é preciso uma estratégia mais eficaz do que oferecer créditos bonificados, uma vez que o custo de produção é amplamente superior aos proventos esperados, causando défice aos investidores.

Para os participantes do Fórum AAPARROZ, a Reserva Estratégica Alimentar seria uma alternativa válida ao problema da aquisição e escoamento da produção nacional, caso comprasse, de facto, aos produtores nacionais a produção ao preço compatível como forma de diminuir o vaco, ao invés de adquirir a produção no estrangeiro.