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Investimento nas telecomunicações estagnado há quatro anos

Angola apresenta uma taxa de teledensidade muito abaixo da média africana. Para dinamizar o sector, o país precisa de fazer investimentos na ordem dos 5.863 milhões de dólares em quatro anos.

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José Zangui
Fotografia
:
Carlos Aguiar
José Zangui

No plano nacional de Desenvolvimento (PND) 2018-2022, o Governo angolano reconhece que, nos últimos anos, “os investimentos realizados ao nível das infra-estruturas de telecomunicações não tiveram ainda o impacto esperado sobre a qualidade e preços”.

Em linha com esta constatação do Governo, o consultor Abdul Santos que foi um dos oradores da Conferência sobre Transformação Digital organizada pela Economia & Mercado, considera que o sector das telecomunicações em Angola está estagnado há cerca de quatro anos, sendo que não houve evolução tanto dos usuários da Internet como dos subscritores de telemóvel. Pelo contrário, em relação ao número de utilizadores de telemóvel, de 2017 a 2018, houve uma ligeira redução, de 13,3 milhões para 13,2 milhões, de acordo com o administrador-executivo do INACOM, António Moniz Gonçalves, em declarações à imprensa, no âmbito do Angotic 2019.

Segundo Moniz Gonçalves, “torna-se, por isso, necessário dar continuidade aos esforços que têm vindo a ser desenvolvidos, e políticas que visem, entre outros objectivos, desenvolver uma infra-estrutura robusta capaz de servir todo o território nacional”.

Já de acordo com os dados apresentados pelo também engenheiro de telecomunicações, Abdul Santos, na mesma Conferência promovida, em Luanda, em Novembro, a taxa de acesso à Internet em Angola, em 2015, rondava os 20% da população, enquanto o uso de telemóveis estava abaixo dos 50% da população, e em grande parte concentrado na capital do país, Luanda. Para o consultor, estes números estão aquém das expectativas se comprados com os de outros países de África, com taxas próximas dos 80%.

“Passados quatro anos, a situação em termos de investimento e penetração não se alterou”, acrescentou o especialista, para quem estes indicadores pioram à medida que a população angolana aumenta substancialmente. “Importa referir que a população cresce a um ritmo de 3,3% ao ano, dinâmica não acompanhada com investimentos, não apenas no sector das telecomunicações”.

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