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Isabel dos Santos deixa administração da Unitel

Um comunicado distribuído à imprensa refere que a empresária angolana, Isabel dos Santos, deixou a administração da operadora angolana de telefonia móvel Unitel.

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No documento, amplamente, reproduzido pela imprensa nacional, a empresária refere que “após 20 anos dedicados à criação, ao desenvolvimento e ao sucesso da Unitel, optei por deixar o cargo de membro do Conselho de Administração da empresa”. No mesmo comunicado, Isabel dos Santos salienta ainda que doravante a empresa “deve ser ocupado por pessoas dedicadas e com espírito de equipa, comprometidas com o trabalho rigoroso e produtivo, no interesse da empresa e dos seus colaboradores e clientes”.

Apesar de não ter detalhado as reais motivações da actual decisão da empresária, cujas contas em Angola e Portugal estão congeladas, e bens arrestados, a decisão de deixar a administração da Unitel, de acordo com o Jornal de Angola, parece ser a primeira reacção da empresária depois da mais recente assembleia-geral extraordinária de accionistas, que a empresa realizou na semana passada. 

Ainda sem comunicado oficial, a reunião da assembleia-geral, analisou, entre outras questões, a gestão dos últimos 10 anos da operadora e os pareceres aos documentos da Justiça sobre eventuais danos à administração e estrutura financeira da empresa.

No encontro, salienta o Jornal de Angola, os sócios da operadora móvel apreciaram, também, a reclamação de prémios relativos a 2018/2019 de Antony Dolton, ex-gestor e homem de confiança da empresária Isabel dos Santos. Foram revisitados, igualmente, os relatórios e contas de 2019, os prémios dos administradores e a distribuição de dividendos.

Entre os assuntos a deliberar, escreve o Jornal de Angola, constaram das discussões as decisões da Assembleia-Geral de 2014, altura em que foram retirados poderes representativos a alguns accionistas. Nos argumentos avançados, no comunicado, Isabel dos Santos considera “contraproducente e irresponsável permitir que um clima de conflito permanente e de politização sistemática dos administradores se instale no Conselho de Administração”.

A empresária diz que nos anos em que liderou a empresa fez investimentos de mais de cinco mil milhões de dólares na rede, equipamento e formação profissional, “recorrendo inteiramente a receitas próprias e empréstimos bancários privados e sem qualquer apoio de fundos governamentais ou públicos”.

“O facto é que a Unitel é dos activos da empresária arrestados pela Justiça num litígio com o Estado angolano, que considera ter sido defraudado em muitos dos negócios da empresária”, escreveu o Jornal de Angola na sua versão digital.

Envolvida com alguma frequência em escândalos financeiros, tanto em Angola, como em Portugal, com processos na Justiça de ambos os países, a empresária detém 25% do capital social da Unitel, através da empresa Vidatel, enquanto a petrolífera nacional, Sonangol, tem 50%, depois da compra dos 25% antes detidos pela PT Ventures. A outra accionista, a Geni, possui os restantes 25%.

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