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João Lourenço diz que empregos não se criam de dia para noite

Organizadores da manifestação de sábado, 24, anunciaram voltar às ruas no dia 11 de Novembro, nem mesmo a mediação da Igreja Católica foi suficiente para demover os activistas.

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José Zangui
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José Zangui

O discurso de João Lourenço proferido, ontem, quinta-feira, 29, em sede do Comité Central do MPLA, em vez de acalmar os ânimos dos jovens descontentes com as políticas do executivo, colocou ainda mais distante as partes.

“Anunciámos naquele dia (24) que, doravante, faremos das ruas os nossos escritórios, para manifestar o nosso descontentamento e exigir do Presidente um esclarecimento sobre a calendarização das eleições autárquicas, o afastamento do Edeltrudes, do presidente da Comissão Nacional Eleitoral e exigir do Presidente que crie condições para resolver os problemas dos cidadãos”, referiu à imprensa, Dito Dalí, membro da organização.

Os manifestantes dizem que a situação social e económica de Angola se agrava e é missão do governo atender os problemas de que enferma a sociedade.

Em três anos no poder, João Lourenço, parece cada vez mais contraditório nas suas palavras. Na campanha que o elegeu ao cargo Presidente da República assumiu o compromisso de criar 500 mil empregos até 2022, mas quando faltam, pouco menos de dois anos para o fim do mandato, tudo indica que a promessa está longe de ser cumprida.

No ano passado, o governo voltou alimentar a esperança dos jovens, com o Plano de Acção de Promoção à Empregabilidade (PAPE), aprovado pelo decreto presidencial 113/19, cujo promessa é beneficiar 250 mil jovens com microcréditos, cursos de empreendedorismo e formação profissional, até 2021. No entanto, não há balanço sobre quantos empregos foram criados, mas há cada vez mais postos de trabalho que se perdem.

A “guerra” entre a juventude e o Presidente da República está agora declarada. "O Presidente começou tão bem aquando da sua investidura, quem não ficou emocionado com os discursos do Presidente? Sentíamo-nos incluídos, numa Angola nova, que se pretendia. Infelizmente, fomos seduzidos por discursos bonitos, para sermos decepcionados dessa forma, uma deceção total", frisou Dito Dalí.

O presidente do MPLA disse que o esforço que o Executivo e o sector empresarial privado vêm fazendo na manutenção e criação de emprego está visível aos olhos de todos, mas o pleno emprego não se alcança em períodos de crise económica e de pandemia mundial profunda. “Este milagre não foi, ainda, realizado por ninguém, portanto não é de se esperar que venha a acontecer em Angola do dia para a noite”, disse, acrescentando que, “ o nosso apelo para os jovens vai no sentido de não se deixarem manipular por aqueles que não têm a condição de resolver os vossos problemas de educação, saúde, habitação e emprego, porque estes problemas já estão sendo resolvidos, à medida do possível, pelo Executivo e seus parceiros, o sector empresarial privado”.

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