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Líderes diferentes?

Estava para escrever sobre as datas das empresas públicas, aquelas criadas após a independência nacional e que são bandeira do país, que por decisão de administrações são esquecidas a favor de outras.

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Nuno Fernandes
Fotografia
:
Carlos Aguiar
Nuno Fernandes

Parece que, de repente, temos medo de assumir o que é nosso e o que realmente nos representa. Mas fica para tema de um próximo “Remate”. Está prometido.

A justificação para a alteração do tema relaciona-se com a entrevista de Samakuva à LAC – Luanda Antena Comercial, ao excelente programa “Café da Manhã”, no início de Agosto. Achei que valia a pena fazê-lo. Samakuva há muito que nos dá sinais de um enorme crescimento como político. Ismael Mateus, um querido colega nosso, e Conselheiro da República, elevou a sua intervenção ao nível de um senador.

Penso que, sobretudo, ela é o resultado da maturidade de alguém que vê o seu país para além das cores partidárias. De quem está a compartimentar percursos e sabe colocar na gaveta própria o percurso histórico com as suas diversas variantes.De quem se apercebe de que o país não pode ser refém de histórias circunscritas a interesses. Isso é crescimento e maturidade. A perfeição em política não existe. Há interesses, e as estratégias e os percursos em sua defesa têm dimensões diferentes. E nem tudo é linearmente certo. A mim fez-me sempre confusão a ideia do “ser perfeito”. Aquele a quem tudo se deve. Que pensa e decide por nós. A quem nos entregamos de mão beijada, anulando-nos completamente. Deixamos de pensar e receamos expressar os nossos sentimentos, as nossas opiniões. Ficamos calados e a aceitar aquilo que, inclusive, nos parece completamente errado. E a anulação vai ao ponto de desvalorizarmos o esforço pessoal e oferecermos, a determinada figura, o ónus das nossas conquistas. Isso passou-seno nosso país, sob o nosso total olhar silencioso e cúmplice. Nós aceitámos que isso acontecesse. E com isto, tendo a noção de que foi assim, não devemos tirar às pessoas ou à pessoa que forçou esse estado de coisas, o mérito daquilo que elas e ele fizeram de bom. Na entrevista de Samakuva há essa leitura e esse mérito. Quantos políticos o farão? Depois dele outros poderão, mas pertence-lhe a “pole position”. E o mérito é maior vindo de um líder do maior partido da oposição que rivalizou com o do Governo durante o conflito armado.

Definitivamente, devemos abandonar o culto da personalidade e percebermos que valemos pelo conjunto e não por indivíduos em si. Temos de permitir a abertura suficiente para nos ouvirmos todos e fazermos as escolhas de forma racional, pensada e a resultar no bem comum

Leia mais na edição de Setembro de 2018.

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