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Mais um corpo “desaparece” na morgue em Luanda

Após o caso que envolve o corpo de um idoso de 85 anos, supostamente desaparecido há 16 dias, outros cadáveres podem ser dados como desaparecidos considerando a recorrência de casos hediondos.

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Cláudio Gomes
Fotografia
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DR
Cláudio Gomes

A família do malogrado está impedida, pelo menos até ao momento, de realizar um funeral condigno ao cidadão angolano que em vida respondia pelo nome de Kialunda Manuel, de 85 anos de idade, que faleceu em casa, alegadamente por doença.

De acordo com o Jornal de Angola, que cita a Lusa, após a confirmação do falecimento do seu parente, transportaram o seu corpo até a então Casa Mortuária Central de Luanda onde o cadáver deveria ser conservado por quatro dias até serem concluídos os preparativos para o funeral.

O fatídico acontecimento, que obviamente deixou os parentes do malogrado consternados, começou no dia 3 de Janeiro do ano em curso e juntou, ontem, segunda-feira, 18 de Janeiro, alguns familiares em frente à instituição, com o objectivo de forçar quem de direito prestar um esclarecimento oficial sobre o que terá acontecido concretamente.

Segundo Alexandre Manuel, filho do idoso falecido, quando regressaram à morgue onde havia depositado e registado o corpo do seu parente, três dias depois, depararam-se com a chocante informação sobre desaparecimento estranho do cadáver de seu pai. "Desde o dia 6 de Janeiro até hoje o corpo não aparece”, disse o filho, da vítima.

Conforme explicou, em entrevista à Lusa, os familiares do malogrado concentraram-se, ontem, segunda-feira, 18, defronte à então Casa Mortuária Central de Luanda para manifestar o desagrado da família e exigir explicações de quem de direito.

"Os responsáveis da morgue não dizem nada”, sublinhou, o Jornal de Angola, salientando que o filho Alexandre Manuel lembrou que a família se encontra "muito abalada” com a situação.

"Estamos cá todos os dias e não informam onde está o corpo do nosso pai. Queremos fazer o funeral do pai e, por isso, estamos aqui a exigir que o corpo apareça”, reforçou.

De acordo com o filho, citado pelo diário nacional, caso o corpo não apareça, o caso será levado à Justiça.

Alexandre Manuel lamentou a forma como a família está a ser tratada, salientando que a direcção da morgue remeteu o assunto para o Governo da Província de Luanda, que, por sua vez, os encaminhou para o Velório Provincial de Luanda, que devolveu a questão à Morgue Central.

Segundo a fonte, estranhamente, ambas as partes, “não sabem do paradeiro do corpo”. Em relação a possibilidade de ter havido trocas de cadáveres, Alexandre Manuel disse que tal hipótese foi descartada pela própria Casa Mortuária Central de Luanda, “porque se, por engano tivesse sido entregue a outra família para ser enterrado, o corpo pertencente àquela família estaria na morgue".

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