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Maus-tratos levam centenas de menores às ruas

O município de Viana registou, durante o primeiro semestre de 2019, cerca de 145 casos de crianças que abandonaram o convívio familiar por causa de maus-tratos desencadeados pelos próprios tutores.

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Manuel Januário, representante do Julgado de Menores junto da Administração Municipal de Viana, assegurou que dos 145 casos envolvendo crianças que abandonaram o convívio familiar, mais de 40 foram inseridas de volta ao convívio das respectivas família.

Em declarações ao Jornal de Angola, o dirigente assegurou também que durante o período em análise, a Direcção Municipal da Acção Social do município de Viana acolheu igualmente 129 crianças desamparadas, das quais 42 foram encaminhadas à Remar, instituição de beneficência localizada no referido município.

O centro Elbethel, por exemplo, recebeu 39 crianças, a Obra de Caridade, 24, Alnur, 17, Horizonte Azul, um, e seis recém-nascidas foram distribuídos à famílias substitutas.

Diariamente, referiu, mais de 15 famílias procuram instituições para darem a conhecer o desaparecimento de parentes, principalmente crianças. “Recebemos muitos casos de crianças que abandonam o lar, devido aos maus-tratos dos pais. Muitas são submetidas a exploração infantil e, portanto, são as próprias crianças que muitas vezes denunciam e garantem que não pretendem regressar”, explicou ao Jornal de Angola o representante do Julgado de Menores em Viana.

Ainda neste sentido, Manuel Januário disse também que a Direcção Municipal de Acção Social de Viana, em colaboração com o Julgado de Menores e algumas instituições religiosas, tem definidas estratégias para a reintegração de crianças no seio das respectivas famílias.

“Algumas delas são encaminhadas para os lares de acolhimento. Mas um dos motivos gerador de conflitos é a pobreza, o alcoolismo nos progenitores e a negligência educacional. Muitos pais não prestam e nem dão a devida educação aos filhos, que acabam se tornando rebeldes”, sustenta Manuel Januário.

O responsável referiu também que infelizmente há crianças que fogem da tutela dos centros de acolhimento, por considerarem que nas ruas se sentiriam mais livres, argumentando que nos lares existem regras que não aceitam cumprir.

“É importante trabalhar com as famílias e com as próprias crianças, para evitara violência e a fuga de menores. Há crianças que estão há mais de um mês na rua e os pais só se aperceberam agora que as aulas recomeçaram”, lamenta Manuel Januário, que aconselha os pais a não se cansarem de dialogar com os filhos.

“É preciso que aprendam a educar sem violência”, apelou Manuel Januário que lembrou que a Convenção sobre os Direitos da Criança, adoptada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em Novembro de 1989, e ratificada por Angola, em Dezembro de 1990, consagra que “o Estado deve proteger a criança contra todas as formas de maus-tratos”.

Já o psicólogo Celestino Joaquim afirma que a criança quando nota que o ambiente onde se encontra não é favorável, procura refúgio na rua. Acrescenta que os conflitos constantes nos lares e a fraca orientação dada pelos pais, afecta o comportamento dos menores.

“Na rua, as crianças passam a desenvolver comportamentos desviantes tais como a agressividade, insegurança, depressão, stress, ansiedade, distúrbios do foro cognitivo e social, tendo como último escape o consumo de drogas e a criminalidade”, explica.

Por sua vez, o sociólogo Carlos Santana, o desemprego dos pais, associado ao uso excessivo de bebidas alcoólicas, causa desestruturação familiar e concorre para que as crianças abandonem as famílias.

Para o especialista as Organizações Não Governamentais (ONG) e igrejas devem apoiar os projectos sociais que garantem melhorias na condição de vida das crianças.

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