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Moxico. O gigante adormecido

É a maior província do país, mas será também a mais escassamente povoada. Rica em recursos hídricos e minerais, tem também características que poderão transformá-la numa potência agrícola.

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Para já, distingue-se como 
a principal produtora de mel do país e uma das principais produtoras de madeiras de qualidade.

De acordo com o censo de 2014, a densidade populacional do Moxico era então de 3,6 pessoas por quilómetro quadrado, com a população a concentrar-se, sobretudo, na capital, Luena, onde viviam quase metade dos habitantes da província, e nos municípios fronteiriços do Alto-Zambeze e Luau. Nos restantes municípios, Bundas, Camanongue, Luacano, Cameia, Léua e Luchazes, a densidade populacional será muito inferior, deixando grande parte deste território potencialmente rico praticamente inexplorada. O panorama não se terá alterado nos últimos anos e as projecções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, indicam que a província contará agora com cerca de 854 mil habitantes. Uma população muito jovem cuja faixa etária dos 0 aos 14 anos representava, nos resultados do Censo de 2014, cerca da metade do total de habitantes (51%), 46% era constituída pelos que se encontravam entre os 15 e os 64 anos e apenas 3% tinham mais de 65 anos.

Será esta população, tão jovem e ávida por melhores condições de vida, uma das maiores riquezas da província das longínquas “chanas do Leste”.


Rico em recursos hídricos, cruzado por uma intricada rede fluvial que alimenta o rio Zambeze nos seus primeiros quilómetros, o Moxico contará ainda com uma imensa riqueza mineral nos seus subsolos, que esconderão cobre, manganês, urânio e diamantes.

À superfície, o clima e as condições do terreno são propícios a diversas culturas, nomeadamente a do arroz (aproveitando as vastas chanas que inundam parte do seu território), mas a maioria da produção agrícola actual resulta de explorações familiares que apostam, sobretudo, na cultura de massango, batata rena e doce, mandioca, milho, feijão, tomate e amendoim. Lançada em Outubro passado, a campanha agrícola 2018/2019 não correspondeu às expectativas e, em Junho deste ano, o director do Gabinete Provincial da Agricultura e Pescas, António Augusto da Silva, prognosticava, numa entrevista à ANGOP, uma baixa de produção na ordem dos 45%. À crise financeira que viabiliza o desenvolvimento rural, juntou-se a estiagem do início da campanha, que prejudicou as primeiras sementeiras.

A agricultura e a pecuária têm sido, aliás, profundamente afectadas pelas dificuldades económicas dos últimos anos, que comprometeram a continuação de projectos como as fazendas Agro-Pecuária de Sacassange e Agro-Industrial de Camaiangala (resgatada a favor do Estado em Outubro de 2018) ou o Perímetro Irrigado do Luena, que visavam tornar a província auto-suficiente  em termos alimentares e criar empregos.

Leia mais na edição de Setembro de 2019

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