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“Não temos propriamente falta de água”

Édio Gentil Saumbwako José é licenciado em arquitectura pela Universidade Lusíada de Angola, e desempenha o cargo de vice-governador do Cunene para a Área Técnica.

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Fotografia
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Carlos Aguiar

O dirigente é funcionário do Governo Provincial do Cunene desde 2011 e conhece a realidade da província. Em entrevista à Economia & Mercado, admitiu que o problema do Cunene não é a falta de água, mas sim de um sistema de aproveitamento da mesma, sendo que, num passado recente, a província foi palco de inundações.

Qual é o ponto de situação do programa emergencial de combate à seca e de reforço da capacidade de fornecimento de água nas comunidades?

O Cunene tem cerca de 1.157.000 habitantes e 79,1% desses estão directamente afectados pela seca. Estamos a falar de 880.172 pessoas, mas também temos o registo de um total de 26.152 cabeças de gado mortas, de um total de mais de um milhão que a província tinha, sendo que estes números estão em constante progresso. Os últimos dados que temos relativos ao número de cabeças de gado mortas já rondam as 30 mil. O Governo Provincial do Cunene está a desenvolver um programa de emergência de combate aos efeitos da seca. A partir de 22 de Janeiro, o Presidente da República, João Lourenço, decretou o estado de calamidade para as províncias do Cunene, Huíla e Namibe e, no dia 22 de Março, foi disponibilizada uma verba de 3,9 mil milhões de kwanzas para o Cunene mitigar os efeitos da seca. Com estes valores, estamos a agir em três eixos, nomeadamente a aquisição de reservatórios de águas de 20 litros, aquisição de um total de 400 reservatórios de 10 metros cúbicos para as aldeias onde não há rede de distribuição de água, e a aquisição de 26 cisternas que têm estado a transportar a água. Ainda com este valor fez-se a aquisição de 20 tractores detracção para cada comuna, especificamente para as áreas de difícil acesso, onde os camiões-cisterna não conseguem chegar. Há ainda um plano de desassoreamento de chimpacas para, junto das mesmas, desenvolver-se agricultura através de pequenas cooperativas e para o abeberamento do gado, que é o principal activo económico das comunidades. Actualmente, temos um conjunto de 190 chimpacas operacionais. Além de recuperação, há necessidade de construirmos mais para que, deste modo, as pessoas não percorram grandes distâncias para o pasto do gado. Noutro eixo, temos um plano de recuperação de 171 pequenos sistemas de captação de água, dos 720 disponíveis.

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