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O desgoverno do lixo em Luanda

Nos últimos meses, a província de Luanda tem vindo a ser “engolida” por amontoados de lixo, situação que, na verdade, é recorrente, sendo que o pior cenário acontece no período chuvoso.

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José Zangui
Fotografia
:
Carlos Aguiar
José Zangui

O problema do lixo na capital de Angola, Luanda, não é novo, mas, desta vez, agravou-se devido a um desentendimento que opõe operadoras de saneamento básico ao Governo Provincial de Luanda (GPL). As empresas anunciaram, em Novembro, não poder continuar a trabalhar por duas razões: as dívidas que o GPL acumulou com as mesmas e o incumprimento da cláusula de pagamento em dólar.

Em resposta, a governadora de Luanda, Joana Lina, admitiu, recentemente, em conferência de imprensa, a existência da dívida, na ordem dos dois mil milhões de kwanzas e prometeu a regularização após certificação da mesma. Quanto às empresas, esclareceu que, depois de reuniões com o Ministério das Finanças, se chegou à conclusão de que não há condições para pagar em moeda estrangeira, daí que tomou a decisão de rescindir os contratos. A governante afirmou que uma equipa do GPL está a certificar o valor em questão, para a validação da dívida.

Entretanto, até que se realizem novas contratações, os trabalhos de limpeza e recolha de resíduos sólidos serão garantidos pelas administrações municipais, distritais e pelas quatro empresas que se encontram disponíveis a colaborar. A governante considerou que deve ser ponderada e encorajada a criação de cooperativas de jovens, para fazer o trabalho de recolha de resíduos sólidos nas novas centralidades e no casco urbano, para que se reduzam custos operacionais e se melhore o ambiente na cidade capital. Do lado das administrações, no entanto, nem todas dispõem de meios para esse desafio, como é o caso de Viana e Luanda. A E&M tentou, mas sem sucesso, saber junto do GPL se as administrações vão ser potencializadas com meios.

Com pelo menos oito milhões de habitantes, Luanda produz, diariamente, 6.800 toneladas de resíduos sólidos, sendo que as operadoras têm capacidade de cobertura de apenas 60%, o que custa ao GPL, mensalmente, cerca de oito mil milhões de kwanzas. Com a saída de seis empresas, a população receia que a situação se torne ainda mais complicada. Numa ronda efectuada pela E&M, por várias zonas da capital, constataram-se amontoados de lixo em muitos bairros, sobretudo no Rocha Pinto, Viana e Calemba 2.

Leia o artigo completo na edição de Janeiro, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

Waste mismanagement in Luanda

Over the last few months, the province of Luanda is being “swallowed” by mounting piles of waste, a recurrent situation with the worse scenario happening during the rainy season.

The waste management issue in the capital of Angola, Luanda, is not a new one, but it got worse due to a dispute involving the sanitation companies and the Provincial Government of Luanda (GPL). These companies announced last November that they would not be able to continue to perform their job for two reasons: Accumulated debts and non-compliance of the “dollar payment” clause by the GPL. In response, the Governor of Luanda, Joana Lina, recognized recently in a press conference the existence of a debt estimated at two billion kwanzas and promised to settle the amount once it is certified. Regarding the companies, she explained that, after the meetings held with the Ministry of Finance, the conclusion was that there were no conditions to pay in a foreign currency, so it was decided to terminate the contracts. The government official also stated that a GPL team is now certifying the amount in question for validation purposes.

In the meantime, until new companies are contracted, the cleaning work and waste collection services will be provided by both municipal and district administrations and by the four companies that are available to cooperate. The governor stated that the creation of cooperatives run by young people should be considered and encouraged for the collection of solid waste in the new cities and towns, so that operational costs are reduced and the environment in the capital city is improved. However, not all district and municipal administrations have the means to face this challenge. This is the case of Viana and Luanda. E&M tried, without success, to find out from the GPL whether the administrations are going to receive any means of support.

With a population estimated at 8 million, Luanda produces 6,800 tonnes of solid waste daily; the operators have a coverage capacity of only 60%, which costs about 8 billion kwanzas per month to the GPL. With the departure of 6 sanitation companies, the population fears that the situation becomes even more complicated. The E&M team made a tour in several locations of the capital city and noticed piles of waste across many neighbourhoods, especially in Rocha Pinto, Viana and Calemba 2. In the last neighbourhood, the local population opted to incinerate the waste to reduce piles.

Read the full article in the January issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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