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O Estado da Nação, 45 anos depois

O discurso sobre o Estado da Nação proferido pelo Presidente da República, João Gonçalves Lourenço, foi o último antes de Angola completar 45 anos de Independência, no próximo dia 11 de Novembro.

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Sebastião Vemba
Fotografia
:
Carlos Aguiar
Sebastião Vemba

Tal como nos anos anteriores, voltámos a ter um discurso excessivamente longo e repetitivo. Convenhamos que, após trinta minutos de prelecção, a mensagem tende a perder-se por falta de interacção entre o emissor e o receptor, daí que não seja de estranhar as imagens captadas pelos jornalistas, que revelam, ano após ano, uma audiência apática e mesmo sonolenta, demonstrando uma vontade insaciável de desaparecer daquele recinto.

Vivendo-se momentos difíceis, não só ao nível nacional, mas globalmente, como também o afirmou o Presidente da República, nada melhor do que algumas palavras de esperança, em vez de uma abordagem agarrada ao passado e a eventuais realizações do Governo que, bem analisadas, se constata que pouco impacto tiveram na melhoria das condições sociais dos angolanos. “Embora a COVID-19 seja uma ameaça, temos a convicção de que uma vacina segura e ao alcance de todos será encontrada.

Por esta razão, continuaremos a prestar-lhe a devida atenção mas não vamos perder o foco naquilo que continua a ser a principal prioridade da nossa agenda: trabalhar para a reanimação e diversificação da economia, aumentar a produção nacional de bens e de serviços básicos, aumentar o leque de produtos exportáveis e aumentar a oferta de postos de trabalho. Isto se consegue com a definição de políticas económicas correctas e realistas e com a coragem de as implementar, corrigindo os erros e constrangimentos à medida que forem sendo identificados. Reconhecemos a necessidade de se instaurar em Angola uma economia de mercado dinâmica e eficiente, o que explica a grande atenção que o Governo tem dedicado, desde o início, à estabilização macroeconómica do país, com particular incidência para a consolidação fiscal”, lê-se no discurso sobre o Estado da Nação, que agora completa 45 anos, mas continua com muitos sintomas de imaturidade, embora se reconheça que as grandes nações não se fizeram em tão pouco tempo. Entretanto, é necessário investir-se numa comunicação mais realista e visionária, em vez de abordagens apáticas sobre uma realidade que está aos olhos de todos, tanto dos que a vivem e lutam contra ela, quanto dos que assistem e devem mudá-la, mas que viram as costas aos problemas.

The State of the Nation, 45 years later

The speech on the State of the Nation given by the President of the Republic, João Manuel Gonçalves Lourenço, was the last one before Angola completes 45 years of Independence, on November 11.

As in previous years, we again had an excessively long and repetitive speech. After thirty minutes of discourse, the message tends to be lost due to the lack of interaction between the speaker and the listeners, so it is not surprising that the images captured by journalists reveal, year after year, an apathetic and even sleepy audience, showing an insatiable desire to disappear from that enclosure.

This being a difficult moment, not only nationally, but globally, as the President of the Republic also stated, nothing better than a few words of hope, instead of an approach clinging to the past and ruminating on the eventual achievements of the Government that, on closer observation, are verified to have had little impact in the improvement of the social conditions of the Angolans.

“Although COVID-19 is a threat, we are convinced that a vaccine that is safe and within everyone’s reach will be found. For this reason, we will continue to pay due attention to it, but will not lose focus on what remains the top priority of our agenda: to work on the reanimation and diversification of the economy, to increase the national production of basic goods and services, to increase the range of exportable products and to increase job offer. This is achieved by defining correct and realistic economic policies and having the courage to implement them, correcting mistakes and constraints as they are identified. We recognize the need to establish a dynamic and efficient market economy in Angola, which explains the great attention that the government has devoted from the outset to the macroeconomic stabilization of the country, with particular emphasis on fiscal consolidation,” reads the speech on the State of the Nation, which is now 45 years old, but continues with many signs of immaturity, though it is recognized that the great nations were not made in such a short time.

However, it is necessary to invest in more realistic and visionary communication, instead of apathetic approaches to a reality that is in the eyes of all, both those who live and struggle against it and those who witness and must change it, but choose to turn their backs on the problems.

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