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“O Estado faz falta na economia”

Economista de formação, a agenda de Carlos Lopes é essencialmente preenchida com o desenvolvimento de trabalhos científicos em áreas como a da pobreza e das migrações.

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Fotografia
:
Carlos Aguiar

Faz parte do grupo de trabalho que lançou, recentemente, um estudo sobre os efeitos económicos e sociais do confinamento social, em Angola, sob a chancela do Centro de Estudos de Ciências Jurídico-Económicas e Sociais da Universidade Agostinho Neto. Na entrevista que se segue, o auto-intitulado “socioeconomista” revela os meandros da pesquisa, referindo que uma das lições tiradas é a de que a pandemia veio demonstrar que o Estado faz falta na economia, ao contrário do que muitos económicos defendem.

Qual foi o grande objectivo e a que questões é que procuraram dar respostas com a publicação deste estudo?

A ideia surgiu e amadureceu ainda no início do Estado de Emergência, em Angola. Na altura, foi desenhada uma metodologia, centrada num inquérito. O público-alvo deste inquérito foram as pessoas que estavam em confinamento social, naquela altura, e que tivessem acesso à internet. Depois, nós, enquanto membros da equipa, partilhámos este inquérito com a nossa rede de contactos. E foi com essa amostra de conveniência que lançámos o estudo. Recebemos 1.211 respostas, salvo erro. Além do inquérito, lançámos também um conjunto de conferências Web, feitas via Facebook, lideradas pelo professor Josué Chilundulo, onde seleccionámos 12 personalidades, em função da sua especialização, perfil académico e experiência profissional. Estas personalidades partilharam connosco também a sua perspectiva sobre o que eram os principais efeitos, naquela altura, que se podiam identificar relativamente ao impacto da Covid-19, quer no plano da economia, quer no plano social.

Mas, afinal, qual foi o grande objectivo com o lançamento deste estudo que tem a chancela do Centro de Estudos de Ciências Jurídico-Económicas e Sociais da Universidade Agostinho Neto?

O objectivo foi o de identificar os efeitos económicos e sociais, mais os estes do que os económicos. Identificámos algumas dimensões, desde uma primeira ligada aos comportamentos relacionados com a biossegurança e às práticas de higiene, de mobilidade impostas pelo decreto associado ao Estado de Emergência para perceber como é que as pessoas se estavam a comportar em relação a isso. Depois, há uma segunda dimensão, relacionada com o impacto que a Covid-19 e o Estado de Emergência provocaram sobre o trabalho e as actividades das pessoas. Constatou-se que muitas delas foram obrigadas a trabalhar numa condição de teletrabalho em casa e outras a trabalhar por turnos.

“The State is needed in the economy

An economist by education, Carlos Lopes’ agenda is essentially occupied with developing scientific work in areas such as poverty and migration. He is part of the working group that recently launched a study on the economic and social effects of social confinement in Angola, under the seal of the Center for Legal, Economic and Social Sciences Studies of Agostinho Neto University. In the interview that follows, the self-titled “socioeconomist” reveals the meanders of his research, remarking that one of the lessons he has learned is that the pandemic came to show that the State is needed in the economy, and not otherwise, as many economists defend.

What was the main objective and what questions did you try to answer with the publication of this study?

The idea came up and matured at the beginning of the State of Emergency in Angola. At that time, a methodology was designed, centered on a survey. The target-group of the survey would be people in social confinement with access to the internet. We, every team member, were to share this survey with our network of contacts. Based on this ‘convenience’ sampling, we launched the survey. We received 1,211 responses, as accurately as I can recall. In addition to the survey, we also initiated a series of web conferences on Facebook, led by Professor Josué Chilundulo, attended by 12 personalities chosen according to their expertise, academic profile and professional experience. These personalities shared with us their perspective on what were the main identifiable effects, at that time, of Covid-19 on an economic and social level.

But, in short, what was the great objective of this study that has the seal of the Center for Legal, Economic and Social Sciences Studies of Agostinho Neto University?

The objective was to identify the economic and social effects, with more focus on the latter than the former. We identified some dimensions, from a first linked to biosafety and hygiene practices, to restrictions to mobility imposed by the State of Emergency, to understand how people were behaving in relation to that. Then, a second dimension related to the impact that Covid-19 and the State of Emergency had on people’s work and activities. We found that many were forced to ‘telework’ from home, while others began to work in shifts.

Leia mais na edição de Outubro da Economia & Mercado, disponível em/ Read more here: https://appeconomiaemercado.com/office/cliente/angola/login.php

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