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“O grande inimigo foi e continua a ser a importação”

José Macedo, a caminho dos 70 anos de idade, 38 dos quais dedicados à indústria, entrou para o sector em 1981, como estagiário, tornando-se, depois, chefe de equipa na Central Leiteira de Luanda.

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Fotografia
:
Carlos Aguiar

Actualmente, é consultor da mesma empresa, onde transmite a sua experiência aos mais novos. Em entrevista à E&M, traça um panorama da indústria nacional e não teme em afirmar que a mesma foi asfixiada pelo lobby das importações.

Economia & Mercado - Como caracteriza o actual contexto da indústria em Angola?


José Macedo - Eu estou mais ligado à indústria transformadora, mas falando do panorama geral, posso dizer que a indústria nacional sofre de um problema que é ver, constantemente, as promessas do Governo adiadas, e isto há décadas. Nos últimos 20 anos, os empresários têm ouvido o discurso de que “vamos proteger a indústria nacional, vamos dar apoio à indústria, vamos priorizar o que é nacional”. Mas, na prática, prioriza-se o comércio e as importações que transformam pequenos grupos em afortunados. Fez-se do país, durante décadas, uma porta escancarada para as importações, que passaram a ser a prioridade em detrimento da produção nacional.

E&M- Pode dar exemplos do que acaba de dizer?


Sim... O Estado deveria ser um dos principais clientes da indústria nacional, para dar o exemplo aos de mais actores. Mas, o Ministério da Defesa, por exemplo, que está a pouco mais de 500 metros da Lactiangol, comprava o leite na Alemanha. Deste modo, cria emprego noutros países, em vez de os dar aos nacionais e mata a indústria nacional. E esse é apenas um exemplo.

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