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O investimento privado atraído por vias políticas

Na combinação de factores necessários para atrair investimento estrangeiro, o pronunciamento político ocupa um dos últimos lugares superado por factores ligados à vida económica e social.

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Em mais de uma ocasião debrucei-me nesta coluna sobre a atracção de investimento privado estrangeiro, em particular dos pronunciamentos políticos sobre este assunto, tendo em conta o facto de muitas vezes notarmos que várias entidades governamentais partem do pressuposto que um pronunciamento político de alto nível pode induzir empresários estrangeiros a investir em Angola.

Esta ideia, apesar de revestida de boas intenções, é, de facto, pouco produtiva, pois, a nível prático, é insuficiente para produzir qualquer tipo de resultado concreto na esfera do investimento privado. Na combinação de factores necessários para atrair investimento estrangeiro, o pronunciamento político ocupa um dos últimos lugares, superado por factores directa ou indirectamente ligados à vida económica e social, dentre eles o nível académico e profissional da população, a facilidade no processo de abertura de uma empresa e no acesso ao crédito, o estado das infra-estruturas, o acesso à energia e água, a propriedade da terra, o estado do sistema judicial, dentre outros factores que influenciam directamente a vida da empresa.

Os pronunciamentos políticos, nestes casos, representam simplesmente uma acção de marketing institucional, ou seja, têm a intenção de valorizar o território nacional no mercado internacional, principalmente por via de uma comunicação que promove as potencialidades de desenvolvimento e as características socioeconómicas e ambientais do País. Este marketing, porém, não pode ser mais substancial do que os factores mencionados acima, com o risco de se criar uma situação de grande disparidade entre aquilo que se promove e o que realmente se tem a disposição, o que a nível publicitário e comercial é considerado por “publicidade enganosa”, e que de certa forma pode minar a credibilidade do político que a protagoniza e até do País em si.

O mais correcto, nestes casos, é seguir o processo contrário, que começa por criar as condições internas que permitem desenvolver os factores supracitados, necessários para atrair investimento estrangeiro, e ao crescimento e melhoria destes factores associar o marketing institucional, que poderá ser constatado uma vez que os investidores estabelecerem um contacto directo com o mercado nacional. Até porque, na maior parte dos casos, estes factores falam mais alto do que qualquer pronunciamento político.

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