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“O sector têxtil tem sofrido uma grande evolução em todos os sentidos” - Heritier Mbunga, empreendedor

O CEO da Atelier Escuro entende que a COVID-19 tem sido, em alguns sectores, uma oportunidade para transformação de negócios no continente africano e vê-se crescer e nascer muitos projectos.

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Fotografia
:
Carlos Aguiar

Como é que avalia o sector dos textéis em Angola, tanto do ponto de vista de investimentos e infra-estruturas de transformação, quanto da qualidade dos serviços e produtos?

O sector têxtil tem sofrido uma grande evolução em todos os sentidos. Nos últimos anos, temos visto grandes investimentos e o processo de privatização demonstra o interesse do Estado em gerar mais-valias no sector. Tem-se aproveitado as infra-estruturas já existentes no sentido de gerar maior rentabilidade dos investimentos já realizados e esperemos que resulte, sendo que muitos empresários estão a investir em equipamentos e zonas de produção com maquinarias de ponta. Neste processo, a COVID-19 tem sido, em alguns sectores, uma oportunidade para transformação de negócios no continente africano e vê-se crescer e nascer muitos projectos, nomeadamente no segmento da produção têxtil,  roupas e uniformes com muita qualidade. Acresça-se que, como disse antes, muitas empresas estão a aprimorar a qualidade dos seus serviços, dando respostas às necessidades do mercado, com material produzido em Angola e mão-de-obra local.

Falando em mão-de-obra. Os recursos humanos ainda são, em Angola, um dos principais calcanhares de Aquiles das empresas. Na área em que actual, qual é a realidade?

Certamente este será ainda um tema de muitos anos. Entretanto, temos sim no sector muita boa mão-de-obra, mas temos insuficiência de disciplina e comprometimento com o trabalho. Neste sector, a mão-de-obra deve ter um alto nível de responsabilidade e atenção, pois só assim conseguimos responder às necessidade do mercado com produtos de qualidade. Entretanto, também temos muitos colaboradores comprometidos com o trabalho e não podemos esquecer-nos destes, sendo que precisamos de muitos mais. Os empreendedores devem olhar os funcionários como parte importante no processo e os envolver na cultura e espírito da empresa, para que eles se sintam como membros de uma grande família. 

Que conselhos daria aos jovens profissionais da moda e costura, aos que aspiram enveredar nessa área profissional?

O primeiro passo para tudo na vida é o comprometimento com os objectivos traçados, bem como uma dose de paixão pelo que se vai desenvolver. Depois disso, vem o trabalho duro e aplicação de esforço e tempo. Os têxteis são uma área de trabalho com muito potencial de crescimento, temos um vasto mercado para operar e explorar. Portanto, se conseguir juntar as ferramentas certas teremos sim grandes resultados.

Biografia

Heritier da Costa Mbunga “Escuro” tem 37 anos. Formado em Gestão Empresarial e Marketing, tem 10 anos de passagem pela banca e há sete anos que trabalha na área de têxteis, lar e uniformes. Nos últimos quatro anos, tem desenvolvido projectos no ramo da moda, tendo criado as marcas Atelier Escuro, Escuro Shoes, Lavandaria de Calçados, Escuro Home, Bysso na Bysso, Escuro Outlet e Escuro Sport.

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