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OMS apoia os esforços do Governo de Angola para erradicação da poliomielite

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros parceiros estão a apoiar os esforços do governo angolano para acabar com um surto de poliomielite, que afecta o país desde Maio do corrente ano.

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Redacção_E&M
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De acordo com um comunicado da organização internacional, recepcionada, esta semana, pela Economia & Mercado, a poliomielite é uma doença viral, que é transmitida de pessoa para pessoa, principalmente através da via fecal-oral através de água ou alimentos contaminados.

O documento informa que embora não haja ainda cura para a doença, a poliomielite pode ser prevenida pela administração de uma vacina simples e eficaz. “Esta é a razão pela qual, esforços estão em curso em todo o país para aumentar rapidamente os níveis de imunidade em crianças, e protegê-las da paralisia da poliomielite”, pode-se ler.

Em resposta ao surto que já afectou até o momento 49 crianças, refere a OMS no já citado comunicado, o Governo da República de Angola vacinou cerca de 4.5 milhões de crianças, em 15 das 18 províncias do país.

"A campanha de vacinação contra a poliomielite que o governo angolano está a liderar é fundamental para controlar o surto de poliomielite. Todos nós devemos trabalhar para sensibilizar as nossas famílias e comunidades para a necessidade de vacinar todas as crianças”, disse o Representante da Organização Mundial da Saúde em Angola. Além disso, acrescentou, Hernando Agudelo, precisa-se reforçar a vigilância das doenças e o sistema de vacinação de rotina para detectar, prevenir e responder rapidamente a qualquer transmissão da doença.

"Tendo em conta os desafios que Angola enfrenta para garantir a imunização de todas as crianças, temos de permanecer resilientes em nossos esforços de vacinação e vigilância epidemiológica, para que nenhuma criança seja deixada para trás com o risco de contrair paralisia”, sublinhou o responsável.

A resposta ao surto de poliomielite, afirma a OMS, requer um enorme esforço de coordenação multissectorial. Nesta jornada, a OMS e parceiros da Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite (IGEP), nomeadamente o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Rotary International, Centro de Controlo de Doenças dos EUA (CDC), Fundação Bill e Melinda Gates (BMGF) e outras partes interessadas, têm apoiado o Governo de Angola em acções estratégicas para interromper a transmissão da poliovírus.

O documento refere também que graças aos esforços da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio, lançada em 1988, “dois dos três tipos de polio vírus selvagem foram erradicados globalmente”. O último caso de poliovírus selvagem na região africana da OMS, segundo o comunicado, foi detectado no Estado de Borno, na Nigéria, em 2016. A região espera ser certificada livre dos três tipos de poliomielite selvagem em 2020.

No entanto, África tem vindo a enfrentar em 14 países, incluindo Angola, surtos de um vírus da poliomielite tipo 2 (cVDPV2). Os poliovírus derivados de vacinas são raros, mas são por vezes encontrados em populações que vivem e máreas com saneamento inadequado e baixos níveis de imunização contra a poliomielite.

“Quando as crianças são imunizadas com a vacina oral dapoliomielite (VOP), o vírus vivo atenuado da vacina reproduz-se nos intestinosdurante um curto período de tempo e é depois excretado nas fezes para oambiente, onde outras pessoas não imunes (não vacinadas) podem infectar-se,sobretudo aquelas em condições de higiene precárias, pois o mecanismo detransmissão do vírus é fecal oral”, informa a OMS.  

Entretanto, se ocorrer uma circulação prolongada em muitas crianças devido a baixa cobertura de vacinação contra a Pólio, explica, o vírus em cada replicação sofre mutações.

“Os vírus mutantes (que sofrem alterações) são transmitidos às populações susceptíveis (crianças não vacinadas), levando ao surgimento do denominado poliovírus derivado de vacina, que pode circularnas comunidades com baixa cobertura vacinal, causando eventualmente paralisia”,sublinha o documento informativo.

Contudo, a experiência mundial mostra que a única maneira de se interromper a circulação deste vírus derivado da vacina é através da implementação de duas ou mais rondas de campanhas de vacinação, “utilizando a vacina pólio oral do mesmo serotipo que o vírus circulante”.

No caso de Angola, por exemplo, salienta a OMS no comunicado, foi confirmado laboratorialmente a circulação do vírus tipo 2 e está a ser utilizada a vacina pólio oral monovalente tipo 2. O poliovírus derivado da vacina não é um efeito adverso pós-vacinação, nem depende da qualidade da vacina, mas sim um evento que acontece quando há uma baixa cobertura vacinal contra a poliomielite na comunidade.

O documento alista um leque de países que registam surtosde poliovírus derivados de vacinas em África como Angola, Benim, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Etiópia, Gana, Níger, Nigéria, Togo e Zâmbia.

Segundo a OMS, estes países enfrentam muitos desafios para impedir a circulação do vírus que incluem a fraca cobertura de vacinação de rotina, a recusa de vacinas, o difícil acesso a serviços de saúde. Estes países precisam, portanto, assegurar campanhas de vacinação de boa qualidade para garantira imunização de todas as crianças.

O Governo de Angola, de acordo com os esclarecimento da Organização Mundial da Saúde,  continua a implementar resposta ao surto de poliomielite, seguindo directrizes acordadas internacionalmente, incluindo o reforço das actividades de vigilância para detectar rapidamente quaisquer outros casos. Para o sucesso da resposta ao surto, defende a OMS, é necessário o envolvimento das autoridades governamentais a todos os níveis, da sociedade civil e da população em geral,por forma a assegurar que todas as crianças com menos de cinco anos de idade sejam vacinadas contra a poliomielite.

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