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ONU promoveu debate para reflectir sobre a pobreza

A taxa de pobreza em Angola estimada pelo Governo é atualmente de 36%, entretanto, a meta perseguida pelo Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) é reduzir para 25% até 2022.

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José Zangui
Fotografia
:
Carlos Aguiar
José Zangui

Cerca de 36% é a taxa de pobreza assumida pelo Governo, segundo dados avançados, em Luanda, pela ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Fausta Inglês, a margem de uma roda de conversa sobre “A redução da pobreza em Angola no contexto do alcance dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável”, promovido pelo escritório das Nações Unidas em Angola.

A ministra que coordena as acções do programa de combate a pobreza, admitiu que a percentagem de pessoas que vivem na extrema pobreza ainda é alto, sublinhando que, independentemente de qual for o número, o mais o importante é trabalhar para tirar o maior número de pessoa nesta condição.

Fausta Inglês acrescentou que o país está a reduzir, a extrema pobreza “já foi mais alta mas está a ser reduzida com um conjunto de acções constantes no PND”, disse.

Das várias acções em curso apontou o programa Água paraTodos; apoio a mulher rural; nutrição das crianças; construção de casas sociais para famílias vulneráveis; as aulas de alfabetização, o apoio e reintegração de ex-militares.

A responsável destacou também, o Projecto-piloto de transferência social monetária, financiado pela União Europeia com um valor global de nove milhões 272 Euros.

Este projecto consiste na entrega de três mil kwanzas por mês por criança, valor este a ser dado uma vez em cada trimestre. Cada família pode registar até três crianças. Ou seja, uma mãe pode, no máximo, beneficiar de nove mil kwanzas por mês.

O projecto-piloto vai abranger 7.788 famílias de 257 aldeias nos seis municípios onde está a ser implementada a municipalização da acção social, com o objectivo de dar uma dieta melhorada aos menores.

Questionado pela E&M se a solução da pobreza passa por distribuir dinheiro, justificou a transferência para essa franja da população com o facto  de muitas não terem o mínimo para sobreviver, mães com três filhos ou de gémeos abandonados pelos parceiros, deficientes e mães adolescentes. “ O Estado tem dever de apoio essas pessoas”, disse.

Por sua vez, o coordenador residente do sistema das Nações Unidas em Angola, Paolo Balladelli, ressaltou a importância da conversa que reuniu actores com diferentes papéis relevantes para a redução da pobreza. “Foi uma oportunidade sem precedentes de diálogo para se ter uma percepção sobre o ponto de situação do Objectivo número 1 dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, que é exactamente a erradicação da pobreza no país”, disse.

Paolo Balledelli diz estar a constatar avanços na redução da pobreza, em Angola, nos últimos dez anos, mas pensa que pode se fazer mais se o país juntar sinergias de diferentes actores da sociedade, dando o exemplo da participação das universidades com investigação de fundo.

No total são 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) que a ONU (Organização das Nações Unidas) colocou na Agenda 2030, e que devem ser observados pelos países membros.

Diversos estudos apontam que a renda de desigualdades está aumentar, com os mesmos ricos a ganhar até 40% da renda total global. Os10% mais pobres ganham somente entre 2 e 7% da renda do planeta.

A roda de conversa serviu para celebrar o 74º aniversário das Nações Unidas assinado a 24 de Outubro.

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