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PIB deve crescer acima de 3% para combater a pobreza e o desemprego

Redacção_E&M
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DR

Para impulsionar a criação de empregos, seria necessário uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) muito mais robusta para tirar as pessoas da pobreza, afirmou o economista Carlos Vaz.

Contactado recentemente pela Economia & Mercado, o também professor universitário disse que ainda que o crescimento seja em volta de 2% ou 3%, anualmente, até 2027, é importante questionar se esse crescimento vem de que sector, visto que desde 2014 a pobreza em Angola tem vindo a aumentar. 

Segundo avançou, a crise energética na Europa e a invasão Russa à Ucrânia mantém a incerteza nos mercados, o que faz com que os preços se mantenham em alta, inclusive, o preço do petróleo e seus derivados. “Isso é bom para a economia angolana pelo facto de depender do petróleo para tudo - exportação, receitas fiscais e para a produção”, referiu.

Respondendo a um questionário, Carlos Vaz frisou que “não é só esse o desafio”. Para o especialista, no entanto, “não basta crescer”, é “preciso saber” qual é o sector que mais impulsiona o crescimento. “É o sector não petrolífero? Mas qual sector dentro do não petrolífero? O do comércio? Se for esse, diria que ainda é muito informal e de baixo valor agregado, o que faz com que os salários neste sector sejam muito baixos e os empregos mais precários, ao ponto de não oferecer condições e garantias nenhumas. É mais um choque, e as pessoas que sairão da pobreza via empregos informais voltariam rapidamente. É uma situação precária’’, perspectivou.

Novos financiamentos 

Citada recentemente pela Angop, a Ministra das Finanças de Angola, apontou o crescimento do PIB como “carro chefe da governação para o quinquénio 2023/2027”. "Queremos que os programas e as políticas façam crescer o PIB, fundamentalmente em sectores da sociedade geradores de emprego (...), para que possamos reduzir a pobreza e o desemprego”, referiu Vera Daves de Sousa à margem da Reunião Anual do Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI), que decorreu em Washington, Estados Unidos da América (EUA).

Avançou ainda que o Governo angolano vai prosseguir com a preparação do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) e definir acções que visam reforçar a assistência técnica, assim como negociar o financiamento a ser mobilizado para os projectos concretos alinhados com a visão do PDN 2023-2027, em cooperação com o Grupo Banco Mundial (GBM), FMI e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

A conjuntura macroeconómica internacional, bem como questões concretas da região africana, foram temas que justificaram a edição deste ano da reunião anual das instituições de Bretton Woods, Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI), dirigida aos ministros e governadores dos bancos centrais de todo o mundo. 

A delegação angolana foi constituída pelo ministro da economia e planeamento, Mário Caetano João, governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, os Vice-governador e Administrador do BNA, Manuel Tiago Dias e Pedro Castro e Silva, respectivamente, a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, além de altos responsáveis e técnicos dos dois departamentos governamentais.