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PIIM. “Retorno político é bastante grande”

Em 2019, em entrevista na TPA e ao NJ, o Presidente da República, João Lourenço, afirmou que “o retorno político” do PIIM “é bastante grande, uma vez que vai resolver muitos problemas sociais".

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Quando confrontado com as críticas da oposição e analistas, que questionaram a qualidade e o retorno do investimento ao Fundo Soberano de Angola, voltou a destacar os investimentos no sector social: “O Fundo vai ser utilizado na construção de escolas, hospitais, postos médicos, centros de abastecimento de água, de energia e vias de comunicação, sobretudo as secundárias e terciárias”.

Entretanto, para o economista Justino Pinto de Andrade, num artigo de opinião publicado na Economia & Mercado, este pode ser o fim do Fundo Soberano de Angola.

“Mas estou também seguro que tais aplicações se destinam, no essencial, a encobrir uma indisfarçada ‘intenção eleitoralista’... E será mera coincidência que tal aconteça precisamente quando se avizinham as primeiras eleições autárquicas do nosso país?”, questionou.

O cronista da E&M afirmou ainda que, “com este ‘golpe de cintura’, João Lourenço e o seu partido político, o MPLA, resolveram, em simultâneo, pelo menos quatro problemas: i) Conseguem disseminar por todo o país investimentos públicos com um fortíssimo pendor social que, na realidade, beneficiarão a imagem dos seus candidatos; ii) Fazem-no sem ter que violar a estrutura do OGE Revisto (2019), recentemente aprovado, ou seja, vão buscar o dinheiro a um verdadeiro ́saco azul ́ que dificilmente pode ser escrutinado, pois tem dependência quase exclusiva do Chefe de Estado; iii) Salvaguardam-se de eventuais críticas internacionais que, pela certa, ocorreriam, caso a operação tivesse aumentado significativamente o percentual da Dívida Pública, já a roçar o ponto crítico; iv) Nesta verdadeira ‘Operação Relâmpago’ envolver-se-ão interesses internos (e externos) dificilmente fiscalizáveis, dada a urgência da sua materialização”.

Para Justino Pinto de Andrade, está claro que o mais importante será o real impacto político do PIIM, ou seja, “‘o ganho político e eleitoral’ superveniente, transfigurado assim nos reflexos sociais sobre as populações”, mas insiste que “esta ‘engenhosa acção’ vai, sim, asfixiar o Fundo Soberano de Angola, de onde se retirará a quase totalidade dos activos financeiros depositados pela Quantum Global, em bancos do Reino Unido e das Ilhas Maurícias, agora resgatados pela Direcção Nacional de Recuperação de Activos da PGR”.

Finalmente, Justino Pinto de Andrade afirmou que João Lourenço esteve equivocado ao afirmar que o Fundo Soberano de Angola é demasiado robusto.

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