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Presidente do Botsuana orienta forças armadas a terroristas em Cabo Delgado

Cláudio Gomes
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Foto:
DR

Mokgweetsi Masisi orientou, ontem, quinta-feira, 30, as forças armadas do seu país a serem implacáveis no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique.

O Presidente do Botsuana falava perante as forças armadas do seu país, que participam de operações de apoio ao Exército moçambicano. “Está claro, vocês entenderam e aceitaram [a missão]. Matem o inimigo, esse é o vosso trabalho, até que eles se rendam”, determinou, sem contemplações, Mokgweetsi Masisi.

Para o Chefe de Estado, as forças que estão a apoiar Moçambique face à insurgência devem dar o seu melhor, dentro de uma conduta moralmente correta.

“[…] Quero encorajar a todos vocês e deixar claro que terão sempre o meu apoio”, frisou, citado pela Lusa, o Presidente do Botsuana.

O Presidente de Moçambique, por sua vez, enalteceu o papel do Botsuana para um posicionamento regional contra o terrorismo em Moçambique, admitindo a possibilidade de extensão do período da presença das forças da SADC, embora sem avançar datas.

“O Presidente Mokgweetsi Masisi, desde a primeira hora, mostrou solidariedade”, frisou Filipe Nyusi.

Disse que a permanência das forças da região em Moçambique será debatida numa sessão da 'troika' do órgão da SADC Mais Moçambique agendada para o próximo mês.

“Independentemente do que está a acontecer no Niassa [província vizinha de Cabo Delgado, que regista pela primeira vez ataques], nós já sabíamos que o terrorismo não termina cedo”, declarou o chefe de Estado moçambicano.

O Botsuana faz parte da Força em Estado de Alerta da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) que desde Julho está a apoiar Moçambique no combate a grupos rebeldes em Cabo Delgado, ao lado de países como Angola, África do Sul, Lesoto e Tanzânia.

Além da SADC, Moçambique conta com o apoio do Ruanda e a ofensiva conjunta permitiu desde Julho aumentar a segurança em Cabo Delgado, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde agosto de 2020.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas tem sido aterrorizada desde Outubro de 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.