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Produção de petróleo em Angola abranda cerca de 100 mil barris por dia até 2030 - AIE

Sebastião Garricha
13/6/2024
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Foto:
DR

A médio prazo, a AIE estima que a produção deverá aumentar para cerca de 113,8 milhões de barris/dia até ao início da década, resultando num excedente de extracção de cerca de oito milhões de barris.

Angola, que saiu da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) no princípio deste ano, deverá ver a sua produção de petróleo abrandar cerca de 100 mil barris por dia, para cerca de 1 milhão por dia até 2030, de acordo com um relatório divulgado hoje, 13 de Junho, em Paris, pela Agência Internacional de Energia (AIE).

No documento, os peritos da AIE salientam que a produção de Angola, a segunda maior da África subsaariana, só atrás da Nigéria, atingiu o pico entre 2008 e 2016, com 1,7 a 1,8 milhões de barris bombeados diariamente, “antes de começar um declínio agravado por problemas operacionais nos seus poços ultraprofundos e de elevado custo”.

Além disso, apontam também para 2028 como o primeiro ano de produção dos poços Cameia e Golfinho, da francesa TotalEnergies, que deverão render pelo menos 70 mil barris por dia.

Ainda quanto às previsões, a AIE vê Angola a bombear 1,11 milhões de barris por dia em 2024, e depois 1,08 e 10,9 nos dois anos seguintes. Para 2027, prevê que a produção deverá subir para 1,10 milhões, mas depois cair para 1,08 no ano seguinte, para 1,06 milhões em 2029 e chegar a 2030 bombeando 1,04 milhões de barris por dia.

No relatório anual sobre o mercado petrolífero a médio prazo, a AIE estima que a produção deverá aumentar para cerca de 113,8 milhões de barris por dia até ao início da década, o que resultará num excedente de extracção de cerca de oito milhões de barris, cerca de dois milhões mais do que actualmente.

Numa notícia publicada hoje, a revista Outsaid diz que “esta margem ‘maciça’, de dimensão apenas comparável à da crise da covid-19 (em 2020 ultrapassou nove milhões de barris por dia)”, ameaça directamente a estratégia do cartel petrolífero OPEP+ para evitar a queda dos preços.

De acordo com o Relatório do Mercado Petrolífero (OMR, na sigla em inglês), da AIE, o crescimento da procura mundial de petróleo continua a abrandar, com os ganhos em 2024 agora vistos em 960 kb/d, 100 kb/d abaixo da previsão do mês passado. 

Diz, também, que os fracos fornecimentos da OCDE levaram a procura global a uma estreita contracção anual em Março, além de referir que o crescimento abaixo da média de 1 mb/d em 2025 é travado por uma economia silenciosa e pela aceleração da implantação de tecnologias de energia limpa.

“A oferta global de petróleo aumentou 520 mil barris/dia em Maio, para 102,5 mb/d, à medida que a produção brasileira de etanol aumentou sazonalmente. No conjunto do ano, a produção aumenta 690 mb/d, liderada por ganhos não-OPEP+ de 1,4 mb/d. A oferta da OPEP+ cai 740 mil barris/dia se os cortes voluntários forem mantidos. Em 2025, prevê-se que a oferta global aumente 1,8 mb/d, à medida que a produção não-OPEP+ aumente 1,5 mb/d”, lê-se no documento.

O Relatório do Mercado Petrolífero, da AIE, é uma das fontes de dados, previsões e análises mais confiáveis ​​e oportunas do mundo sobre o mercado global de petróleo - incluindo estatísticas detalhadas e comentários sobre a oferta, demanda, estoques, preços e atividade de refino de petróleo, bem como como o comércio de petróleo para a AIE e países selecionados não pertencentes à agência.